sábado, 27 de agosto de 2011

CAIO SOH

por Adgeo* 
 Tive minhas pernas amarradas na carroceria da loucura
Fui arrastado por toda minha cidade
Desconheci de perto em um passeio forçado todas as minhas formas
Esfolei minha lucidez nesse chão de novidades
Deixei pelo caminho um rastro pois meu corpo sangrava o pavor do
desconhecido
Me percebi outro (quase vacilo e choro)
Tentei desfazer o laço de interrogação que me carrega, mas o instinto
atrapalhava, pois estava decidido a me apresentar alguma verdade
Tentei me esvaziar para fugir mais rápido:
Chorei para tornar-me mais leve
 
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MEMÓRIAS DE UM NEGRO

                                                       Por Maryleiva Gomes*
 
Um dia separaram-nos em dois grupos e nos fizeram acreditar que éramos diferentes.
Guerreamos! Perdemos.
Daí fomos vendidos (ou trocados, não sei) por quinquilharias.
Aonde estava o meu valor?
Fui as mãos e os pés do engenho, da lavoura, da mineração, da casa e do eito; porém, acorrentaram meus pés e minhas mãos.
Produzi lucros. Nunca os fiz pra mim.
Porque me açoitaram tanto?
Minha alimentação? Comi o resto. Aquilo que sobra na panela e você dá ao seu cão, era quase sempre o que tinha pra eu comer.
Vi meus irmãos morrendo em navios. Vi minha mãe sendo punida. Por seu menor esforço, a espancaram. Vi meu pai cair morto após tantas horas de trabalho.
Fui traficado como droga...
Capturado como animal...
Disseram que eu não tinha alma.
Eles é que não tinham, pois, se a tivessem, não fariam sofrer tanto.
Passei por todo o tipo de humilhação!
Mais tarde, libertaram “meu” ventre...
Após, libertaram meus avós...
Enfim, libertaram-me do cativeiro, do cheiro podre da morte nos navios, dos chicotes, das marcações a ferro em brasa em meu peito e rosto, das queimaduras feitas nos meus lábios, dos que cortavam minhas orelhas e nariz, do tronco, do viramundo e da mordaça, da corrente, da gargalheira e dos anjinhos...
Porque não me livraram do medo, do pré-conceito, do racismo?
Sou liberto! Mas não me deixaram integrar-me à sociedade.
Sou pobre. Não tenho educação nem trabalho.
Sou ex-escravo e me vejo só na luta pela sobrevivência, beirando a marginalidade social.
Sou eterno escravo do que eles pensam da minha cor, mas e daí?!
Fui moço e quis sonhar como tantos, porém não tive tempo; estava ocupado trabalhando para um tal Senhor de Engenho. Agora estou velho, sou escravo livre. Um livre escravo da discriminação.
Sou negro, Negro, NEGRO e não me importam o que pensam de minha cor; me orgulho dela e de sua importância para esse país que pouco se importou com minha dor.
Desenvolvi, no entanto, não fui desenvolvido.
Morrerei!
Terei orgulho em morrer negro. E, se pudesse escolher, nasceria NEGRO de novo.
*Maryleiva Gomes:  Coordenadora do Movimento Pré-vestibular para Negros e Carentes Núcleo Cabuçu
Contatos: organizador do site
 

Diferenças Solidárias¨

por Edson Borges Vicente*
A sociedade é marcada por uma premissa enriquecedora: a diferença! Em contrapartida existe algo que a marca mais profundamente: a desigualdade! As diferenças são fatores determinantes para a existência humana, são o que faz  de cada um de nós um ser especial, único, com o valor inestimável da vida. As desigualdades, porém, dividem a sociedade em classes, em ricos e pobres, em abastados e miseráveis, em saciados e famintos. As desigualdades são produzidas socialmente e ferem a dignidade humana, impedem o pleno exercício da cidadania e atiram às margens da sociedade grande parcela da população mundial. Desde cedo os filhos do “berço de ouro” aprendem a escolher bem o que comer e muitos filhos da batalha aprendem com a vida que tem que lutar para subsistir. A saída escolhida é, muita das vezes, trágica. Jovens demais para morrer mas pobres demais para viver, muitos jovens, cujo futuro não lhes apresenta promissor, trocam suas vidas inteiras por breves fases de “sucesso”, se atiram na contravenção a fim de desfrutar dos prazeres da sociedade consumista e se fazerem “gente”; apostam na fuga à ordem estabelecida e reivindicam através da força o direito de ter o que só os que nasceram à sombra gozam, a saber: poder e abundancia de bens e, até mesmo, comida. Breve fase se diz ao constatarem as pesquisas que eles não passam dos vinte e quatro anos de idade. Para os mais velhos, chefes pais e “mães pais” de família, cujo mercado de trabalho se fecha e cujas barrigas de seus filhos choram, resta muitas vezes a humilhação da dependência alheia. Resta a esperança em promessas de campanha e na única coisa que podem oferecer, seu voto de confiança que muitas das vezes não é respeitado. Enquanto isso a mídia manipula ideologicamente a massa visando preservar o status quo da elite, naturalizar a exploração do homem pelo homem e gerar o desejo pelo consumo. Aposta na “caridade”, na doação daquilo que sobra, na verdade, daquilo que é roubado do trabalho dos homens. E será que isso é natural? Será mesmo que não existe uma saída? Marx nos diz que saída começa na consciência! Que a partir do momento em que a população se torna ciente da exploração a qual é submetida, toma atitudes contrarias a ela. Eu aposto na solidariedade, a atitude consciente de luta mutua aonde todos dão aquilo que vos falta. Devemos construir a nossa liberdade, também, através da critica, da consciência, da união. A partir disso, através da luta que travamos contra a nossa exploração, a exploração da nossa vida. A fome e a miséria do mundo, diferente do que pensava Thomas Malthus, não provem da insuficiência da produção dos alimentos e sim de sua má distribuição, das desigualdades sociais que o sistema promove, da exploração de classes, do homem pelo homem. Só se combate a fome na luta contra as desigualdades. Só se combate a miséria através da justiça, da consciência, do respeito à vida humana, que não parte de cima, mas de cada um que sofre, da massa que pode reivindicar sua vida, sua cidadania. E isso só se concretiza através da solidariedade, da união dos homens pela dignidade dos homens. Na consciência e na luta.

* Edson Borges Filadelfo - Graduado em Geografia pela UERJ; professor de Geografia e Coordenador do Núcleo Cabuçu do PVNC, Professor da Rede Estadual do Rio de Janeiro e da Rede Muncipal da Cidade do rio de Janeiro.
¨Texto escrito para o concurso de redação para universitários Folha Dirigida / UNESCO / MEC 2007 com o tema: como vencer a miséria e a pobreza.

Um sonho à frente

Por Edson Borges*

Mais um na multidão?
Não aceito tal predestinação.
Se posso ir mais longe, mais alto!
Por que estagnar-me nesta situação?
Se vejo os “mais fortes” vencendo
Apostando na vida e vencendo
Como posso não ter o que posso?
E viver, só na vida, perdendo?
Eu não quero entrar pra história
Nem, em todos, ficar na memória
Pois, pra mim, fazer parte da vida
Ter o que é meu de direito, já é uma vitória
Ser gente é ser maravilha
É nunca desviar-se da trilha
É fazer cumprir seus direitos e deveres
É ter trabalho, amigos e família
Eu vejo à minha frente uma realidade
Um sonho de vida imutável à idade
Ser participante da sociedade
Passar para uma universidade

texto produzido em 27/11/2003

* Edson Borges Filadelfo - Graduado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro; professor de Geografia e coordenador do Núcleo Cabuçu do PVNC, Professor da Rede Estadual do RJ.
 

Teatro de Caneta e Papel – A Vida


 Cena 1 – Tentativa de reencontro:
      Os olhos fitam o papel, a caneta a postos à mão direita que carrega consigo, no pulso, o relógio, testemunha dos tempos passados. Os mesmos marcavam 10:37h pm. Era noite do dia vinte e quatro de janeiro de dois mil e seis.
 Cena 2 – O tremular das letras:
      A distancia severa do prazer da escrita havia levado a astúcia do desenhar das palavras, então, póstumo ao contato da esferográfica ao caderno, permaneceu um balangar de traços tortuosos que, embora enfeiassem o documento original, não retiravam a beleza da estória a ser contada. Após tantas noites sem o desabafo cotidiano, começava a humilde tentativa de pazes com a caneta e o papel e, novamente, se estava “escrevendo uma vida”.
 Cena 3 – Perseverança:
      E se começava o texto, o sono se embala, ajudado pela preocupação com a vida, somado à baixa luz proporcionada pelo lustre em cúpula de vidro esbranquiçado. Não é fácil iniciar. Como se inicia uma estória iniciada? Como contar um filme a partir de sua metade? Procede a anterior apesar de ser, a vida, uma única, longa e curta história de estórias.
 Cena final:
      Começa a história...

* Edson Borges Filadelfo 24-01-06
Contatos: organizador do site

Estilo de Vida

Vou sair
e, indeciso... com que roupa eu vou?
Vou de Jeans; no pé, um Nike
que outra opção restou?
Em minha agenda é Sunday, october, 10
logo à noite tem Reality Show
Mas não dá, vou sair, assistir a sessão das dez
Jackie Chan em Nova Yorque
September ,11 já passou.
É uma pena, eu queria ver
Filme de guerra me atiça
Terrorismo x Liberdade
mas sei que sempre vence , a justiça.
Tudo bem,
o que importa é eu me alimentar de Cultura
afinal, Cine-Brasil é tão chulo,
e pobre
e vulgar. Cadê a censura?
Veja o Funk! o Axé! O que fizeram com o Brasil?
Cidinho e Doca, o que fizeram com vocês?
Outro dia, na TV, vi a tradução de um Hip-Hop
daí pude perceber.
Ainda assim eu não mudo
pois  mudaram   minha   essência
eu era  samba  e hoje o  samba,
vejam!  Só  é  samba na   aparência
digo por experiência.
Tenho de ir, estou atrasado
tenho que passar no Champion
pois é lá que ela trabalha
por contrato temporário
sai  as  18:00h  no  Domingo
está quase no horário.
É Trainne, fez  Microlins
CCAA  e  SOS
Está se capacitando ao mercado de trabalho
É o Self Made Man, é assim que se cresce.
Estou com fome, vou comer
um Big Mac com Coca Cola
É o Fast Food do momento
no meu Ford ligo o Dial, um CD do Roxette
assim esqueço o sofrimento
E, no cine, no Guichê
vou pagar com Credcard
é um Status que conquistei
e, no trailer, um logo dos USA
esse mês lançam mais dois
vou conferir na Web depois
taí, até que gostei!
Já é Night, vou fechar com Gouden Key
já não posso contar mais, estou de partida
só falo que tem Souite, Chanpagne e Lingerie
ao som de Mariah vai ser love até a saída
esse é o meu estilo de vida...

 

* Edson Borges Filadelfo - Graduado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro; professor de Geografia e coordenador do Núcleo Cabuçu do PVNC, Professor da Rede Estadual do RJ.
Texto baseado na leitura de Carlos Drumond de Andrade - Eu Etiqueta.

Pensando_Poesias_Crônicas_Contos_Redações
Universidade do Estado do Rio de JaneiroFaculdade de Educação da Baixada FluminenseCurso de Licenciatura em Geografia com Ênfase em meio Ambiente
2º Período - 2004/2 Matéria.: Cultura: O global e o local II
Profª Jacqueline
Graduando.: Edson Borges Vicente

Audição

Pensando - Poesias_Crônicas_Contos_Redações
   Por Edson Borges Filadelfo
(20/08/2001)

Digo flores sobre ti...
Ouço espinhos.
Digo belos raios de sol...
Ouço trovões e chuva.
Digo a brisa do mar...
Ouço, de ti, ventanias.
Tu me dizes água.
Eu, de ti, ouço vinho.
Pronuncias fumaça.
Meus ouvidos só ouvem
o mais puro ar fresco
Pois és pura como o ar que respiro,
Como a água que bebo,
Como o vento que me refresca,
Como a chuva que rega as flores,
Como o sol que ilumina o nosso amor.
Por que, tudo que disserdes a mim,
Mesmo que, amargas palavras,
Elas se farão doces
Como o mais puro mel.
Para adoçar cada vez mais
esse sentimento que nos rodeia.
Tu me insultas e, o que me envolve,
é melodia!
Uma sinfonia me faz dançar.
Me falha a audição se não é você quem fala.
Sou mudo, se não é pra você que digo:
Eu te amo!

Republicando de www.geoeducador.xpg.com.br

Atuação profissional do Geógrafo e o papel da Empresa Júnior Geoambiental. - Resumo

REPUBLICANDO DE WWW.GEOEDUCADOR.XPG.COM.BR - 2005

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – UERJ

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS - IGEO
Departamento de Geografia

Introdução à Geografia -   Prof. Gláucio Marafon

Sem: 2005/1 - Al: Edson Borges Vicente 

Resumo do Texto:

 MIYAZAKI, Vitor K. NORONHA, Elias O. FERREIRA, Rogério M. BRIGATTI, Newton. Atuação profissional do Geógrafo e o papel da Empresa Júnior Geoambiental. São Paulo: UNESP.


Introdução
     Artigo escrito por um grupo de estudantes em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP- Campus Pres. Prudente), aborda as principais áreas de atuação do Geógrafo na atualidade como também outras possíveis atuações em face da grade curricular que consiste a maioria dos cursos de graduação em Geografia do país. Há uma ênfase, por conseguinte na discussão sobre a grade, assim como sobre específicas disciplinas e seu campo de abordagem e ainda seu pressuposto interdisciplinar, revelando a importância da Geografia em função do eu olhar amplo e sistêmico.

A Geografia do Estado do Rio de Janeiro - Relatório

REPUBLICANDO DE WWW.GEOEDUCADOR.XPG.COMBR - 2005

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – UERJ

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS - IGEO
Departamento de Geografia

 Introdução à Geografia -   Prof. Gláucio Marafon

Sem: 2005/1- Al: Edson Borges*

Relatório da Palestra do dia 25/04:

 A Geografia do Estado do Rio de Janeiro

Palestrante: Professor Miguel Ângelo Campos Ribeiro
 TEMA: Abordagem Histórico - Geográfica sobre o espaço fluminense.

"A totalidade que supõe um movimento comum da estrutura, da função e da forma, é dialética e concreta. Para estudá-la, é preciso levar-se em consideração todas as estruturas que a formam e que em conjunto ou isoladamente, a reproduzem."
Milton Santos
 Resumo da Aula:

    A Palestra abordou o espaço fluminense baseando-se em sua gênese política, as transformações ocorridas ao longo de seus quatro séculos de ocupação pós grandes navegações européias e as características mais importantes da atualidade. Em suma, um passeio sobre o espaço cotidiano e lugar da quase totalidade dos graduandos em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro; daí a importância dos mesmos entenderem sua dinâmica e complexidade, sendo mister a sua compreensão.

O Geográfo e a Geografia - a Pedagogia na formação do Bacharel

REPUBLICANDO DE WWW.GEOEDUCADOR.XPG.COM.BR - 2005

UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – UERJ

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS - IGEO
Departamento de Geografia

 

Introdução à Geografia -   Prof. Gláucio Marafon

Sem: 2005/1- Al: Edson Borges 

Resumo dos textos: A dimensão pedagógica na formação do geógrafo; A formação do prof. De Geografia; O geógrafo e a Geografia. Autor desconhecido.


 
     “Na medida que os alfabetizandos vão organizando uma forma cada vez mais justa de pensar, através da problematização do seu mundo, da análise de sua prática, poderão atuar mais seguramente no mundo
Paulo Freire, 1968
Introdução.
     A Geografia é uma ciência do nosso cotidiano e vem passando por um processo de avanço e de popularização, no sentido de buscar melhores compreensões da realidade.
     O inicio do Livro (Introdução) destaca o entendimento do território para a Geografia como base para / e a própria sociedade; Tendo vida e movimento.
     O objetivo do livro é entender a contribuição que a Geografia pode dar para entender a realidade e formar cidadãos. O livro foi escrito com a consciência da atual fase de mudanças rápidas no mundo, exigindo profissionais criativos e críticos.
     Há um destaque para o fato de o ensino tradicional ter se esgotado e as novas questões fazerem parte do cotidiano da universidade.
     O 1° texto foi escrito por pedido da AGB, o 2° para o Boletim Gaúcho de Geografia e o 3° para discussão interna no curso de Geografia.

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