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sábado, 27 de agosto de 2011

MEMÓRIAS DE UM NEGRO

                                                       Por Maryleiva Gomes*
 
Um dia separaram-nos em dois grupos e nos fizeram acreditar que éramos diferentes.
Guerreamos! Perdemos.
Daí fomos vendidos (ou trocados, não sei) por quinquilharias.
Aonde estava o meu valor?
Fui as mãos e os pés do engenho, da lavoura, da mineração, da casa e do eito; porém, acorrentaram meus pés e minhas mãos.
Produzi lucros. Nunca os fiz pra mim.
Porque me açoitaram tanto?
Minha alimentação? Comi o resto. Aquilo que sobra na panela e você dá ao seu cão, era quase sempre o que tinha pra eu comer.
Vi meus irmãos morrendo em navios. Vi minha mãe sendo punida. Por seu menor esforço, a espancaram. Vi meu pai cair morto após tantas horas de trabalho.
Fui traficado como droga...
Capturado como animal...
Disseram que eu não tinha alma.
Eles é que não tinham, pois, se a tivessem, não fariam sofrer tanto.
Passei por todo o tipo de humilhação!
Mais tarde, libertaram “meu” ventre...
Após, libertaram meus avós...
Enfim, libertaram-me do cativeiro, do cheiro podre da morte nos navios, dos chicotes, das marcações a ferro em brasa em meu peito e rosto, das queimaduras feitas nos meus lábios, dos que cortavam minhas orelhas e nariz, do tronco, do viramundo e da mordaça, da corrente, da gargalheira e dos anjinhos...
Porque não me livraram do medo, do pré-conceito, do racismo?
Sou liberto! Mas não me deixaram integrar-me à sociedade.
Sou pobre. Não tenho educação nem trabalho.
Sou ex-escravo e me vejo só na luta pela sobrevivência, beirando a marginalidade social.
Sou eterno escravo do que eles pensam da minha cor, mas e daí?!
Fui moço e quis sonhar como tantos, porém não tive tempo; estava ocupado trabalhando para um tal Senhor de Engenho. Agora estou velho, sou escravo livre. Um livre escravo da discriminação.
Sou negro, Negro, NEGRO e não me importam o que pensam de minha cor; me orgulho dela e de sua importância para esse país que pouco se importou com minha dor.
Desenvolvi, no entanto, não fui desenvolvido.
Morrerei!
Terei orgulho em morrer negro. E, se pudesse escolher, nasceria NEGRO de novo.
*Maryleiva Gomes:  Coordenadora do Movimento Pré-vestibular para Negros e Carentes Núcleo Cabuçu
Contatos: organizador do site
 

Um sonho à frente

Por Edson Borges*

Mais um na multidão?
Não aceito tal predestinação.
Se posso ir mais longe, mais alto!
Por que estagnar-me nesta situação?
Se vejo os “mais fortes” vencendo
Apostando na vida e vencendo
Como posso não ter o que posso?
E viver, só na vida, perdendo?
Eu não quero entrar pra história
Nem, em todos, ficar na memória
Pois, pra mim, fazer parte da vida
Ter o que é meu de direito, já é uma vitória
Ser gente é ser maravilha
É nunca desviar-se da trilha
É fazer cumprir seus direitos e deveres
É ter trabalho, amigos e família
Eu vejo à minha frente uma realidade
Um sonho de vida imutável à idade
Ser participante da sociedade
Passar para uma universidade

texto produzido em 27/11/2003

* Edson Borges Filadelfo - Graduado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro; professor de Geografia e coordenador do Núcleo Cabuçu do PVNC, Professor da Rede Estadual do RJ.
 

A EMERGÊNCIA DOS NOVOS MOVIMENTOS SOCIAIS E O PAPEL DO PRÉ-VESTIBULAR PARA NEGROS E CARENTES (PVNC)

REPUBLICANDO DE WWW.GEOEDUCADOR.XPG.COM.BR- 2004

                                                   Edson Borges Filadelo(Junior)*

  “Devemos nos preparar para estabelecer os alicerces de um espaço verdadeiramente humano, de um espaço que possa unir os homens para e por seu trabalho, mas não para em seguida dividi-los em classes, em exploradores e explorados...”.
                                                                                              Milton Santos


Introdução

    
Nos últimos anos, principalmente a partir dos anos 1970, temos percebido o crescimento dos Movimentos Sociais (Sindicatos, ONG`s, Movimentos de afirmação de identidade e Movimentos de educação popular). A crise do capitalismo levou a sociedade a vários questionamentos. Nesse período, “ocorreram mutações intensas, econômicas, políticas, ideológicas” (Antunes, 2001, p. 183). O modelo de acumulação Taylorista / Fordista vigente desde o inicio do séc. XX tinha como característica, a desvalorização da “dimensão intelectual” da massa dos trabalhadores, os mesmos passaram por um longo período, por um processo de “Ressocialização Homogeneizadora”, ficando apagados da memória dos fatos marcantes da evolução das tecnologias, uma vez que essa ficava a cargo da “Gerência Cientifica” (Antunes, 2001, p. 185). Acontece que, contra qualquer forma de Homogeneização, levantam-se as Identidades Culturais que, ao afirmar suas especificidades, colocam em cheque a validade dos discursos ideológicos que controlam a sociedade. Segundo Souza, “Temos o direito de ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracterize” (Souza citado por Sacavino, 2000, p. 19). O papel dos intelectuais nessa perspectiva é fundamental, pois são eles que controlam esse jogo de construção simbólica. (Ortiz, 1985, p. 142).
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segunda-feira, 13 de junho de 2011

ISENÇÃO UERJ 2012 2º Exame de Qualificação até 16/06/11 - Modelos de Declaração de Próprio Punho


A partir de amanhã (14/06) até quinta (16) estarão abertas as inscrições para pedido de  isenção de taxa para o vestibular da Univeridade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Os interessados devem acessar a home page do vestibular estadual wwwv.vestibular.uerj.br e seguir as instruções online.
Após a inscrição, a ficha com os dados declarados deve ser impressa e encaminhada atravéz dos correios em envelope tamanho ofício ou A4 com as fotocópias (xerox) dos documentos comprobatórios da hipossuficiência (que comprovem renda per capta abaixo do limite conforme expressa no edital de isenção também disponível no site).
O 2º exame de qualifiacação da UERJ é a ultima oportunidade para quem deseja prosseguir no processo seletivo para o ano 2012. Caso o candidato seja aprovado nesta fase ele passará para a fase final com exames discursivos específicos, de lingua portuguêsa, redação e matéria afim, também expressos no edital de convocação para o exame final.
Uma dica para economizar com a postagem é procurar um correio publico. Correios terceirizados geralmente possuem tarifas maiores.


DECLARAÇÃO DE PRÓPRIO PUNHO
Para que a isenção seja concedida é necessário que todos os documentos comprobatórios sejam postados até a sexta dia 17/06. Caso o candidato não possua o documento solicitado ele deve elaborar declarações de príprio punho atestando a situação. Todas as declarações devem conter o nome do declarante seguido de seu CPF e duas testemunhas que não sejam da família, também com CPF. Os principais casos de necessidade de declaração são a inexistência de pessoa residente com renda formal (carteira assinada, aposentadoria ou funcionário público) e comprovantes de água, luz, IPTU e etc. Nos demais casos a obrigatoriedade de documentação é maior (por exemplo, ausência de CPF para maiores de 18 anos). Abaixo segue um modelo de declaração que meus alunos do PVNC Cabuçu sempre utilizaram e que geralmete é aceito pela UERJ sem problemas.

Modelo 1: DECLARAÇÃO DE RENDA
Eu................................................................., portador do RG................................. e do CPF......................................, por não possuir outra forma de comprovação, declaro com a anuência das testemunhas abaixo qualificadas e assinadas que minha renda mádia mensal é de R$....................................(valor por extenso) provenientes da atividade informal.........................................................
Rio de Janeiro, _................... de ..................... de 2011

1ª Testemunha__________Assinatura____________________________
Nome completo................................................... CPF................................
2ª Testemunha__________Assinatura____________________________
Nome completo................................................... CPF................................


Modelo 2: DECLARAÇÃO DE POSSE / INEXISTÊNCIA DE IPTU
Eu................................................................., portador do RG................................. e do CPF......................................, por não possuir outra forma de comprovação, declaro com a anuência das testemunhas abaixo qualificadas e assinadas que resido sob a forma de posse no endereço................................................................................................................, portanto não possuo carnê de IPTU já que não é feita a cobrança do mesmo.
Rio de Janeiro, _................... de ..................... de 2011


1ª Testemunha__________Assinatura____________________________
Nome completo................................................... CPF................................
2ª Testemunha__________Assinatura____________________________
Nome completo................................................... CPF................................

Modelo 3: DECLARAÇÃO - FORNECIMENTO DE ÁGUA/LUZ
Eu................................................................., portador do RG................................. e do CPF......................................, por não possuir outra forma de comprovação, declaro com a anuência das testemunhas abaixo qualificadas e assinadas que não possuo fornecimento individualizado de água (ou luz se for o caso) em razão de o serviço não ser prestado com total cobertura na localidade em que resido.
Rio de Janeiro, _................... de ..................... de 2011


1ª Testemunha__________Assinatura____________________________
Nome completo................................................... CPF................................
2ª Testemunha__________Assinatura____________________________
Nome completo................................................... CPF................................

sábado, 20 de março de 2010

RESGATANDO O JÓVEM REPORTER II - Matéria PVNC Cabuçu


Matéria sobre o PVNC Cabuçu que não foi publicada no Jóvem Reporter

PVNC Cabuçu, Realizando Sonhos – 23-03-2009 - Para o site www.jovemreporter.blogspot.com 
                                    Por Fernanda Bastos da Silva
  
Ingressar no ensino superior em uma renomada universidade pública não é mais um sonho distante ou apenas realizado por quem nasceu em berço de ouro. A cada dia, crescem as iniciativas, comunitárias ou políticas, que visam oferecer uma oportunidade aos menos favorecidos, estudantes das camadas mais pobres da sociedade. Os chamados Pré-vestibulares comunitários, sociais ou similares, surgidos a partir da década de 1990, em especial no Estado do Rio de Janeiro, já ajudaram milhares de estudantes, trabalhadores e até mesmo idosos a conquistarem esse direito de cidadão. O primeiro deles surgiu no ano de 1993 em São João de Meriti, Baixada Fluminense. O chamado Movimento Pré-vestibular para Negros e Carentes (PVNC), composto por vários núcleos em todo o Estado. De lá para cá inúmeros outros foram criados.
Em Nova Iguaçu isso não é diferente. Existem diversos núcleos de pré-vestibular comunitário além do CPV de iniciativa Municipal. Um deles é o Núcleo do PVNC que existe no Bairro Cabuçu. O chamado “PVNC Cabuçu”. Ele foi criado por ex-alunos do Pré Catedral Santo Antônio (Centro) em 1997 por Luciana Barreto (Jornalista pela PUC-RIO e Professora de Redação do Núcleo, hoje apresentadora da rede de tv “TVE Brasil”) e Flávio Médici. Ambos tinham em mente expandir o movimento e é claro proporcionar à população do seu bairro de origem uma oportunidade de conquistar seu espaço nas Universidades Públicas. O PVNC tem seu espaço virtual no sitewww.pvnccabucu.blogspot.com onde são divulgadas suas informações, seu informativo impresso (o Pré-informar) e atividades como o simulado ocorrido no dia 07 de março (fotos desta matéria) deste ano além de trabalhos realizados pelos alunos como redações.  Alguns dos responsáveis pela continuidade do projeto puderam demonstrar como o trabalho social voluntário é importante em suas vidas.
    “O PVNC ampliou meus horizontes sociais e políticos, modificou meu conceito de solidariedade, me possibilitou novas amizades e uma diversidade enorme . Permitindo-me ingressar nas Universidades Públicas.”Márcio Fontes - 29 anos Coordenador e Professor faz parte da grande família PVNC desde 2002, Já foi aprovado na  UFRRJ (Rural) para o curso de Pedagogia e na UERJ para o curso de Português e Latim. Ele disse que conheceu o “Pré” através de um professor de matemática (Marcelão, também ex-aluno e formado pela UFRRJ). Márcio encerra nossa entrevista dizendo que: “...alguns querem apenas status, não se importam de verdade com o PVNC e isso é o que nos entristece”.
     Luiz Vitória – 45 anos também Coordenador diz:“Estou no PVNC desde 2005 e costumo dizer o seguinte: Não há vitória sem sacrifício. Gosto dessa frase! Sacrifício significa abrir mão de fato das coisas que gostamos. É uma renúncia. (...) Sempre gostei da “causa social” (...) Percebi que não fazia nada por NI, pois trabalhava no Rio, então conheci o PVNC através de amigo. (...) É satisfatório demais, digo que não temos pernas, todos aqui são voluntários e temos apenas os fins de semanas e isso não é o bastante”.  Luiz cursa Direito na Universidade Gama Filho- Rio de Janeiro.    
     Pensei que seria bom falar com alguém que foi aluno, depois passou a fazer parte da coordenação e tornou-se professor do PVNC Cabuçu, permanecendo por 6 anos ininterruptos no movimento; metade da história do pré (e por incrível que pareça esse alguém é meu noivo). Edson Borges Vicente – 26 anos. Ele ingressou no PVNC em 2003 como aluno, colaborou com os procedimentos burocráticos dos vestibulares realizados por seus amigos de turma ainda no tempo em que quase nada era informatizado. Aprovado para Geografia UERJ Baixada Fluminense (FEBF) e Química (CEFETQ) ele disse que foi “convidado” a fazer parte da coordenação “obrigatoriamente”. No ano de 2004 assumiu as três funções: professor (Física e Geografia), coordenador e aluno (pois ele não desistiu de tentar novamente para o Campus Maracanã da UERJ, com o sonho de também cursar o bacharelado - além da licenciatura- em Geografia, no qual também obteve êxito). Para ele o pré-vestibular é parte de sua vida. Disse dever metade de suas conquistas aos amigos que lhe acolheram e que passaram a ser seus companheiros de luta.
“Através dele (PVNC Cabuçu)conquistei minha(s) vaga(s) na universidade; aprovação em concurso público para a Prefeitura de Paracambi; meu emprego público na Prefeitura de Nova Iguaçu (Ag. Educador da SEMASPV); desenvolvi minha profissão de professor; vi ampliar meus horizontes culturais e meu senso crítico; fui aprovado no Magistério Estadual (SEERJ), conheci grandes amigos que me ajudam até hoje e identifiquei os meus verdadeiros amigos (entre eles, Gilson Bispo) que me incentivaram a lutar e até mesmo conheci e conquistei minha noiva e futura esposa, que hoje trabalha comigo e que me deu o orgulho de também ser vencedora no vestibular (Minha noiva-jovem-repórter Fernanda Bastos) (...) Espaço de cidadania; escola; roda de amigos; trabalho e Família. Isso é o PVNC Cabuçu pra mim”. Disse ele.
            Como visto, eu também fui aluna do pré e graças a ele comecei a conquistar espaço e buscar crescimento profissional e social em várias áreas, a valorizar a luta de iniciativa popular e venci. Hoje sou graduanda em Gestão Ambiental pelo IST Paracambi da SECT-RJ/FAETEC e reconheço a grande importância do Movimento. Na coordenação busco retribuir o valor que me foi acrescentado pelos militantes e, como a primeira universitária de uma família de oito irmãos, ver a minha aprovação como a primeira de uma mudança estrutural que continua com minhas duas irmãs (Isabele e Ingrid Bastos) tornando-se alunas do PVNC Cabuçu neste ano.
Quem deseja conhecer um pouco mais do PVNC Cabuçu basta acessar o site ou ir ao C. E. Sgto Antônio Ernesto (CESAE) aos sábados e domingos para encontrar uma galera que está “correndo atrás” dos seus sonhos e que está mudando a cara de sua comunidade.
Beijos!!!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pré-Vestibular comunitário 2010 PVNC Cabuçu / Inscrições

O PVNC Cabuçu está com as inscrições abertas para os preparatórios para vestibular e ENEM 2010. Interessados devem correr para o C.E. Sgto Antônio Ernesto em Cabuçu aos sábados e domingos e garatir sua vaga.



Mais informações em:

sábado, 21 de novembro de 2009

Geografia do bairro

Publicado em www.culturani.blogspot.com -  quarta-feira, 11 de novembro de 2009
por Fernanda Bastos da Silva





Nova Iguaçu, a cidade que nasceu às margens do rio e que renasceu abraçando a ferrovia, está entrando em sua terceira geração: a da rodovia”. Essa é a afirmação de Edson Borges Vicente, 26 anos, geógrafo recém-formado e morador do bairro Cabuçu. Ele dedicou os cinco anos e meio em que esteve na graduação na Universidade do Estadodo Rio de Janeiro – UERJ – a estudar sua cidade natal, especialmente seu bairro. Edson, que gosta de ser chamado de geoeducador, já apresentou seu trabalho para a comunidade no Simpósio de Educação de Cabuçu de 2008 e disponibilizou na internet parte do artigo que escreveu, chamado ‘Nova Iguaçu, Cidade mãe: do nascimento de Iguassú à gestação de Iguaçu Nova em Uma abordagem geográfica’.

culturani– O que incentivou o senhor a estudar a cidade de Nova
Iguaçu e, principalmente o bairro Cabuçu, do qual quase nada é falado?

Edson Borges– Fui a primeira pessoa do meu bairro a ingressar em uma universidade pública e acho um dever meu aplicar o conhecimento que adquiro em meu lugar de vida, que está passando por intensas transformações que interferem na dinâmica de toda a Baixada. Além de ser um prazer, é mais fácil, pois posso vê-lo todo dia.

culturani – Explique um pouco esse seu ingresso na universidade. Foi a partir disso que você começou a estudar a cidade?

Edson Borges – Fui aluno do Pré-Vestibular para Negros e Carentes de Cabuçu – o PVNC. Antes eu estudava na escola técnica Visconde de Mauá da Faetec de Marechal Hermes. Estudava Eletrotécnica e queria ser engenheiro eletrônico. Só passei a conhecer o meu bairro e me interessar pelas ciências humanas – geografia e história – quando
conheci o PVNC. Hoje sou professor e coordenador e ensino um pouco do que aprendi aos jovens do meu bairro, inclusive o que aprendi sobre nossa cidade.

A cidade está indo para onde as rodovias irão: para a região sudoeste nas URGs de Cabuçu e Km 32, onde gigantescos empreendimentos imobiliários estão sendo realizados, apostando em rodovias que ainda não existem, mas já estão no Plano Diretor da cidade e nos planos do Governo do Estado como o Arco Rodoviário.

culturani– Você afirma que Nova Iguaçu está entrando em sua terceira fase e que esse é o seu objeto de estudo. Quais então seriam as outras duas e como você estudou sobre elas?

Edson Borges- Os pesquisadores da Baixada sempre destacam as duas fases de desenvolvimento que a cidade de Nova Iguaçu passou: a da antiga Freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Iguassú, que passou a ser chamada Vila de Iguassú, nas margens do Rio Iguassú, e a da Ferrovia, quando o centro foi transferido para o Arraial de Maxambomba e a recém-nascida cidade passou a ser chamada de Nova Iguaçu. Existem trabalhos significativos do IPAHB (Instituto de Pesquisas e Analises Históricas e de Ciências Sociais da Baixada), além da tese de doutorado do professor Manoel Ricardo Simões, conhecido como Breguelé.

culturani– Essas pesquisas sobre a cidade falam alguma coisa sobre essa tal terceira geração de Nova Iguaçu e, se não falam, o que o levou a acreditar nisso?

Edson Borges– Professor Breguelé acredita que a terceira fase é a da indústria. Nova Iguaçu já foi engenho e a cidade da laranja e hoje é a cidade dos cosméticos. Mas não podemos comparar o tipo de doce que comemos com o tipo de fogão onde se faz o doce. Falamos da cidade às margens do rio e às margens da ferrovia. O diferencial do meu trabalho é acreditar que uma nova geração estaria se desenvolvendo, como um “embrião” de uma ‘Nova Nova Iguaçu’, ou melhor, uma ‘Iguaçu Nova’. Eu falo da cidade indo para onde as rodovias irão: para a região sudoeste nas URGs de Cabuçu e Km 32, onde gigantescos empreendimentos imobiliários estão sendo realizados, apostando em rodovias que ainda não existem, mas já estão no Plano Diretor da cidade e nos planos do Governo do Estado como o Arco Rodoviário.





culturani– Então você acredita que o centro da cidade mudaria de novo?

Edson Borges- Acredito que estamos passando por um processo de mudanças, mas é cedo para fazer afirmações dessa natureza. O que acho certo é que Nova Iguaçu não tem mais para onde crescer. Ao norte para na Reserva de Tinguá, a leste e a oeste a cidade esbarra nas emancipações e ao sul, o centro já está estrangulado pelo crescimento desordenado. Já a sudoeste existem imensas terras vazias. Os novos empreendimentos estão trazendo gente de outros municípios e pode vir a se transformar em um novo sub-centro, com dinâmica própria, mas as forças políticas continuam no centro.

Acredito que estamos passando por um processo de mudanças, mas é cedo para fazer afirmações dessa natureza. O que acho certo é que Nova Iguaçu não tem mais para onde crescer.

culturani– Sabemos que foi recentemente construído um parque aquático em Cabuçu e hoje estão fazendo um imenso condomínio ao lado do parque. Esses empreendimentos são os responsáveis por todas essas transformações ou existem outras coisas a destacar sobre essa área?

Edson Borges– Tanto o parque aquático Paradiso Clube quanto o Condomínio fazem parte de um megaprojeto chamado Cidade Paradiso. Esse projeto, inicialmente chamado de ‘Iguassú Nova’, está sendo construído em uma fazenda de Eucaliptos com dimensões de uma cidade para cerca de 150 mil habitantes. Eu assisti desde a derrubada do primeiro eucalipto até a atual finalização do primeiro condomínio – o Cidade Paradiso, com umas 1800 casas. Mas existem outros projetos habitacionais, além de um parque industrial. Essa não é a única fazenda gigantesca dessa região. Temos outra fazenda Cabuçu ao pé da Serra e a fazenda Marapicú, entre outras, todas com importância histórica significativa e que são alvo de especulação fundiária hoje.

culturani– Conte-nos sobre as tais rodovias que ainda não existem, mas que serão construídas.

Edson Borges– A região sudoeste de Nova Iguaçu fica entre três rodovias muito importantes: a Rio São Paulo - Dutra -, a antiga Rio - Santos e a Avenida Brasil. Além disso, está a distâncias parecidas da Capital do Estado, do pólo Gás-Quimico e Petroquímico de Duque de Caxias, da cidade portuária de Itaguaí e da industrial Volta Redonda. É uma região estratégica. Perto de lá passará o já citado Arco Rodoviário, e ainda será margeada pela Avenida Santa Cruz, onde passavam os trilhos da Linha Velha (ligando a Dutra na altura de Austin à Rio - Santos) e a Estrada de Mato Grosso, que contorna a fazenda até a Lagoinha. Por dentro dela passará a Avenida do Oleoduto. Isso sem contar com extensão da Via Light e da construção de uma avenida às margens do Rio Cabuçu. Hoje a RJ 109, a Avenida Abílio Augusto Távora, conhecida como Estrada de Madureira, ainda é a principal. Para a outra Fazenda Cabuçu, ainda temos a antiga estrada Cabuçu-Queimados, que também dá na Dutra.

Quem quiser conhecer os trabalhos do geoeducador pode acessar
www.geoeducador.xpg.com.br/ pensando e clicar na guia “Artigos Resenhas
Resumos”. Lá existem outros textos com o mesmo tema. Interessados
podem enviar uma mensagem para o autor através da página Contatos ou
comentar no blog
 http://www.geoeducador.blogspot.com/ 

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Edson Borges– A região sudoeste de Nova Iguaçu fica entre três rodovias muito importantes: a Rio São Paulo - Dutra -, a antiga Rio - Santos e a Avenida Brasil. Além disso, está a distâncias parecidas da Capital do Estado, do pólo Gás-Quimico e Petroquímico de Duque de Caxias, da cidade portuária de Itaguaí e da industrial Volta Redonda. É uma região estratégica. Perto de lá passará o já citado Arco Rodoviário, e ainda será margeada pela Avenida Santa Cruz, onde passavam os trilhos da Linha Velha (ligando a Dutra na altura de Austin à Rio - Santos) e a Estrada de Mato Grosso, que contorna a fazenda até a Lagoinha. Por dentro dela passará a Avenida do Oleoduto. Isso sem contar com extensão da Via Light e da construção de uma avenida às margens do Rio Cabuçu. Hoje a RJ 109, a Avenida Abílio Augusto Távora, conhecida como Estrada de Madureira, ainda é a principal. Para a outra Fazenda Cabuçu, ainda temos a antiga estrada Cabuçu-Queimados, que também dá na Dutra.

Quem quiser conhecer os trabalhos do geoeducador pode acessar
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