domingo, 7 de março de 2010

PORQUE DEUS INVENTOU A MULHER?


PORQUE DEUS INVENTOU A MULHER?

Dizem que de um pedaço do homem, uma costela, Deus fez a mulher.
Creio eu não ser verdade!
E sim que no homem faltava uma parte, que não a costela,mas sim, um lado do peito.
E Deus fez a mulher pra completá-lo.
Todo homem nasce da mulher!
Todo homem volta pra mulher!
Todo homem é completado pela mulher!
Alguns até queriam “ser” mulher.
Mulher pela qual em seu ventre, foi gerado o filho do meu Senhor.
Mulher pela qual em seu ventre eu fui gerado e que serão gerados meus filhos e os filhos dos meus filhos.
Obrigado, oh Deus, por tê-la feito!
Obrigado a você por existir!
Mulher!

(08 de março, dia internacional da mulher)
por Edson Borges Vicente 2006
www.geoeducador.blogspot.com

sábado, 6 de março de 2010

Resenha do texto: A Maquinaria Escolar de Julia Varela e Fernando Alvarez -Uria

SÉRIE PENSANDO - CIÊNCIA - RESENHAS.
15/11/2007
Aimê Miranda Lima*
Edson Borges Vicente* ¹





O texto aborda as condições sociais e históricas que permitiram o estabelecimento da escola como instituição “universal e eterna”. Para isso analisa o surgimento de instâncias fundamentais que favoreceram e legitimaram a escola nacional. Entre estas estâncias está a definição de um estatuto da infância.

Definição do estatuto da infância
Como primeira condição os autores apontam a definição do estatuto da infância. Para que pudessem freqüentar a escola que se tornou posteriormente obrigatória era necessário proibir o trabalho nos primeiros anos e legitimar a necessidade da educação pré-trabalho. A infância, como hoje a conhecemos, foi construída e forjada socialmente inicialmente pelos moralistas e homens da Igreja. Educar na infância e aí inclui o ensino religioso, foi o mecanismo desenvolvido pela a Igreja para a conservação de seus padrões morais e autoridade eclesiástica, em uma época em que estes eram freqüentemente questionados. Durante as intensas disputas envolvendo católicos e protestantes, nada poderia ser mais “natural” do que estabelecer seus dogmas nos indivíduos de tenra idade, a fim de proteger seus domínios. Esta educação tornava-se ainda mais fundamental aos príncipes e herdeiros que constituiriam a futura liderança das nações, que no contexto dos Estados absolutos determinaria a religião de todo o território. Já os filhos dos pobres, da população de classes econômicas inferiores, seriam alvo da caridade cristã, sendo instruídos e doutrinados nas práticas virtuosas, a fim de se tornarem bons cristãos e por conseqüência bons trabalhadores, submissos a seus mestres.
 
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quarta-feira, 3 de março de 2010

O que é a Cultura?

por Edson Borges Vicente
Cultura, o que será a cultura?
Será do sertanejo a Raparadura?
Será do gaúcho a carne dura?

Costume, será do Rio o Carnaval?
Será o rodeio do Pantanal?
Festejo por colheita madura?

Sei não, acho que é tudo que já se viu
Comeu, sentiu, vestiu e ouviu
É o que faz dessa terra: Brasil.
Geoeducador
Publicado no Recanto das Letras em 03/03/2010
http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/2117666

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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Isenção Vestibular UERJ 2011

ATENÇÃO VESTIBULANDOS DE PLANTÃO:


A Universidade do Estado do Rio de Janeiro torna público o presente Edital que define as normas do processo de isenção da taxa de inscrição dos Exames de Qualificação do Vestibular Estadual 2011 para candidatos aos cursos de graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

1 - DA SOLICITAÇÃO DE ISENÇÃO

1.1 - O candidato que desejar isenção da taxa de inscrição dos Exames de Qualificação do
Vestibular Estadual 2011 deverá comprovar:
a) sua condição de carência socioeconômica;
b) ter concluído ou estar cursando o último ano do ensino médio.
1.2 - A isenção da taxa de inscrição dos Exames de Qualificação do Vestibular Estadual 2011 deverá ser solicitada no endereço eletrônico www.vestibular.uerj.br, no período estabelecido no calendário em anexo.
1.3 - O Requerimento de Isenção e a documentação comprobatória de cada candidato deverão ser postados em qualquer agência dos Correios, na modalidade carta registrada, e encaminhados ao Departamento de Seleção Acadêmica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - DSEA/UERJ, Rua São Francisco Xavier, 524 - 1º andar - Bloco F - sala 1.141 - Maracanã - Rio de Janeiro - CEP 20550-013, até o dia previsto no calendário em anexo.
1.3.1 - Os candidatos deverão exigir dos Correios o recibo de postagem registrada, numerado e datado, conservando-o para eventuais comprovações junto ao DSEA.
1.4 - O DSEA considerará válidos somente os Requerimentos de Isenção postados até o dia previsto no calendário em anexo.

2 - DA SOLICITAÇÃO DE ISENÇÃO DE ALUNOS DE CURSOS PRÉ-VESTIBULARES POPULARES, COMUNITÁRIOS OU SIMILARES. (É o Caso do PVNC Cabuçu).
2.1 - Os candidatos oriundos de cursos pré-vestibulares populares, comunitários ou similares deverão obedecer ao disposto nos itens 1.1 e 1.2.
2.2 - Os candidatos oriundos de cursos pré-vestibulares populares, comunitários ou similares deverão utilizar o código de acesso fornecido por seus cursos de origem para preencher o Requerimento de Isenção.
2.3 - Os Requerimentos de Isenção, acompanhados da documentação comprobatória de cada candidato, deverão ser entregues diretamente no DSEA/UERJ pelo representante do curso, até o dia previsto no calendário em anexo.

3 - DA CONCESSÃO
3.1 - Para concorrer à isenção, é necessário comprovar renda bruta média mensal familiar menor ou igual a R$ 960,00 (novecentos e sessenta reais).
3.2 - Entende-se como renda bruta média mensal familiar a soma de todos os rendimentos provenientes do trabalho formal ou informal, aposentadoria, pensões, rendimentos de capital, imóveis e assemelhados e outros ganhos, comprováveis ou não, de todas as pessoas residentes no mesmo domicílio do candidato, dividida por esse mesmo número de pessoas.

ANEXO – CALENDÁRIO
OBS: Aluno do PVNC Cabuçu não deve levar as cópias pessoalmente ou enviá-las pelo correiro. Somente o Coordenador está autorizado a fazê-lo na data prevista. A orientação que segue é a seguinte:
1:  O coordenador de Procedimentos Vestibulares (Eu) irá fornecer uma senha para os alunos.
2: Essa senha será usada no processo on-line de cadastramento.
3: As informações fornecidas ao servidor estarão impressas na ficha gerada. As cópias (xerox) dos comprovantes serão anexadas em evelope pardo (ou branco), juntamente com uma declaração de frequência do Pré e os envelopes ser~]ao entregues ao coordenador que
4:  Ficará incumbido de levá-los ao DSEA. 

Dúvidas procure o coordenador.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Denegrindo a Universidade (Republicação)


Publicado em www.culturani.blogspot.com - sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Publicado em www.pvnccabucu.blogspot.com - sábado, 21 de novembro de 2009
Escrita pelos coordenadores que fazem parte do projeto Jovem Repórter / Cultura NI da SEMCTUR-NI
por Edson Borges Vicente e Fernanda Bastos da Silva

luta pela inclusão do negro no ensino superior teve sua gestação no início da década de 1990. Um grupo de educadores, liderados pelo Frei David Raimundo dos Santos, o atual Doutor em Educação Alexandre Nascimento e o Pedagogo Antonio Dourado. Descontentes com o fato de quase não se ver negros nas universidades públicas, na época, principalmente nos cursos historicamente mais elitizados, como medicina, engenharia, comunicação e direito, se reuniram e criaram, no Salão Quilombo da igreja matriz de São João de Meriti, o “Movimento Pré-vestibular para Negros e Carentes” – PVNC. Preparando estudantes carentes, sempre procurando assistir a um percentual de negros semelhante aos auto-declarados, nas estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – o grupo inicial conseguiu aprovar certo numero de vestibulandos, que se juntaram e criaram um novo núcleo do movimento, que chegou a ter cerca de 60 pessoas.

Após algumas dissidências, alguns núcleos se desligaram do movimento para fundar o Educação para Afrodescendentes – EDUCAFRO-, sob a liderança de Frei David. O mesmo veio a se tornar uma ONG ligada à Pastoral do Negro. Outros inúmeros grupos independentes surgiram na efervescência da luta pela democratização do ensino superior e se espalharam pelo Brasil.



Nesse contexto, em 1997 surge no Bairro Cabuçu um Núcleo do Movimento, denominado “PVNC Cabuçu”. O núcleo foi fundado sob a iniciativa dos ex-alunos do núcleo da Catedral de Santo Antônio no Centro, moradores do bairro: Luciana Barreto, jornalista – que ingressara na Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) por intermédio do pré – e Flavio Médici, historiador. Em Nova Iguaçu ainda existem núcleos como o da Vila Operária e da Posse.

O “PVNC Cabuçu” funcionou, desde o ano de 97 até 2003, na escola da rede municipal de Nova Iguaçu Darcílio Ayres Raunheitti, quando foi
transferido para o Colégio Estadual Sargento Antônio Ernesto – CESAE. Nesse momento houve uma reformulação no grupo de coordenadores, quando alguns ex-alunos no núcleo assumiram, como Rosemary Faustino de Farias, 33 anos, e Marcio Fontes da Silva, 30 anos - à época ainda sem ter passado no vestibular - e o recém, aprovado no curso de pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, campus Baixada Fluminense – UERJ – FEBF, Fábio Soares, 26 anos.

Dentre os alunos aprovados naquele ano, Edson Borges Vicente, 27 anos, ingressou na primeira turma de Geografia da FEBF e passou a compor a coordenação ao lado do bacharel em Direito e Mestre em Ciências Sociais, Eduardo Belo - até então professor de Geografia e da estudante de química da Rural Giselen Dutra, entre outros.

Para Márcio, que já tinha a experiência de dois mandatos como diretor do Sindicato dos comerciários de Nova Iguaçu e Região, o que valeu - e vale - na luta é a transformação que o bairro passou, a partir do surgimento do movimento. Marcio lutou por cinco anos e foi aprovado em dois vestibulares este ano: para o curso de Pedagogia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – Rural – e para o curso de Letras, Português-Latim da UERJ, o ultimo, está atualmente cursando.

“O diferencial do nosso movimento é que criamos o espaço ‘Cultura e Cidadania’, como integrante das disciplinas. E buscamos sempre criar uma consciência e identidade de pertencimento ao bairro, de respeito às diferenças culturais e étnicas. A idéia é fazer com que eles sejam aprovados, mas que não saiam de Cabuçu, que retornem com o que adquirem na universidade para a comunidade: Seja passando a lecionar ou ajudar na coordenação, colaborando com os simpósios e seminários que organizamos ou realizando qualquer outro trabalho cultural e social na comunidade. Conseguindo isso, estamos desenvolvendo cidadania, a partir de nós mesmos”, explica Marcio.

Para Rosemary - ou Mary - uma das coisas positivas do trabalho voluntário do pré-vestibular comunitário é o desenvolvimento econômico que os alunos carentes e todo o bairro alcançam através da educação. Além de ser uma das formas de romper o preconceito com o negro e os afrodescendentes, que geralmente os segrega dos cargos mais qualificados e bem remunerados. “Estamos formando negros com ensino superior, moradores de Cabuçu e pobres. Digo ‘pobres’, não de capacidade ou dignidade, mas de oportunidade. Basta dar uma oportunidade para você ver os meninos crescendo. E isso faz com que o bairro se desenvolva e aumente o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH – do bairro, de moradores com bons salários, com nível superior, mas que continuam negros e continuam moradores de Cabuçu. Ou seja, que não esquecem as origens”, ressalta Mary que levou árduos anos na luta, até ingressar na escola de letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.

Já Fabio Soares, foi mais além. Ingressou no mestrado na Rural e é atual professor do Centro Federal de Ensino Tecnológico de Química de Nilópilis – CEFETQ, instituição da qual, anteriormente, havia passado em primeiro lugar no concurso para pedagogo. A partir da reformulação na liderança, o “PVNC Cabuçu” ainda passou por mais cinco transferências, sendo duas para a escola de origem, Darcílio Ayres: para o CIEP 168 Ilda Silveira Rodrigues, uma nova estadia no CESAE, neste ano de 2009, e ,atualmente, compartilha com o “Programa Escola Aberta” o espaço da Escola Municipal Abílio Ribeiro.

Sob a iniciativa do professor e coordenador Edson, o núcleo firmou uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação – SEMED, através da qual bolsistas estudantes da UERJ, que ingressaram através das cotas e faziam parte do projeto atualmente chamado de Cidade Universitária, passaram a lecionar no pré, gerando carga horária de serviço comunitário.

Alguns alunos, oriundos do grupo, participam também do programa “Bairro-Escola” e do “Escola Aberta”. O trabalho do movimento social já ajudou dezenas de jovens e adultos moradores de Cabuçu, muitos dos quais negros e descendentes, sendo todos de baixa renda.

De 2003, Juliana Veríssimo de Moraes conquistou cadeira em Ciências Sociais na UERJ e as irmãs Idalecia Santos do Nascimento e Daniela Santos do Nascimento, na renomada Escola de Belas Artes UFRJ. De 2005, Danielle Aparecida Reis Daniel, a graduanda em Psicologia foi a primeira estudante negra do bairro a entrar para o curso na Universidade do Estado. E Ivânia Reis, atual mediadora cultural, que garantiu sua vaga na pedagogia da Rural Campus Nova Iguaçu, em uma de suas primeiras turmas.

À lista se acrescentam Mariana Magalhães dos Santos, aspirante a professora de português, também pela UERJ e, uma das últimas aprovadas, Fernanda Bastos da Silva. A moça, de 20 anos, ingressou no início de 2009 no curso de Gestão Ambiental, do Instituto Superior de Tecnologia do Rio de Janeiro, de Paracambi, ligado à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia – a SECT – e à Faetec. Ela também fez parte da equipe dos projetos “Minha Rua Tem História”, “Jovem Repórter” e “Cultura NI”, todos da secretaria Municipal de Cultura e Turismo - SEMCTUR.

Constou como um reforço “de raça” a entrada de Luiz Carlos da Silva Vitória, negro, com 38 anos, estudante de Direito e líder sindical pela CUT, que passou a colaborar com o pré em 2005 e já o ajudou a conseguir inúmeras vitórias, no que diz respeito a parcerias e colaborações de outros sindicatos, como o Sindispetro, o Bancários e o Sepe, além de instituições como o Sesc; Gilson Bispo dos Santos – o Puff (foto à esquerda) divide seu tempo entre seus filhos, sua esposa e a faculdade de Letras, Português-Inglês, com o PVNC; e Jair Nascimento da Silva Filho, 18 anos (foto à direita) quer quebrar um tabu: ser o primeiro estudante negro de Cabuçu a ingressar no curso de direito da UFRJ.

A quantidade de Cabuçuenses que ingressou na universidade, com a ajuda do pré-vestibular para Negros e Carentes de Cabuçu, é significativa e exaustiva para ser descrita em uma única matéria. De todo modo, em diversos cursos e praticamente todas as universidades públicas da Região Metropolitana do Rio existem negros, pardos ou brancos, que saem de Cabuçu, todos os dias, para estudar. Ou aqueles que já se formaram, inclusive nos cursos elitizados de Medicina Veterinária e Engenharia Agronomia da URFJ, da Escola de Regência e Maestria e de Engenharia da UFRJ, além da Psicologia na UERJ.

Denegrir nesse sentido, parafraseando um grupo de estudantes negros da UERJ que são assim conhecidos, antes de manchar a imagem das instituições públicas de ensino superior, é ressaltar que os negros e estudantes pobres, estão dentro da universidade, colorindo as salas, antes compostas predominantemente por alunos de classe social abastada. Nada mais justo do que, na semana da consciência negra, desmistificar o sentido de um termo historicamente apontado como problema social e que, com ajuda de um grupo comunitário da Cidade de Nova Iguaçu, começou a se esboçar como um novo paradigma: o da democratização.

Para acompanhar o trabalho do “PVCN Cabuçu”, acesse:
- www.pvnccabucu.blogspot.com
- www.geoeducador.xpg.com.br/pvnccabucu
- No Orkut, procure pela comunidade “ PVNC Cabuçu”.
MARCADORES: EDSON BORGES, FERNANDA BASTOS

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pré-Vestibular comunitário 2010 PVNC Cabuçu / Inscrições

O PVNC Cabuçu está com as inscrições abertas para os preparatórios para vestibular e ENEM 2010. Interessados devem correr para o C.E. Sgto Antônio Ernesto em Cabuçu aos sábados e domingos e garatir sua vaga.



Mais informações em:

domingo, 17 de janeiro de 2010

Resumo do texto:CARLOS, Ana. Fani. A. A Geografia brasileira hoje: algumas reflexões.


Série Pensando - Artigos - Resenhas - Resumos

 www.geoeducador.xpg.com.br/pensando/artigos-resenhas-resumos.htm


In: Terra livre. São Paulo, ano 18, vol 1, n° 18, p. 161-178, Jan - Jun, 2002.

Por: Edson Borges Vicente - 2005




UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – UERJ

INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS - IGEO
Departamento de Geografia 

Introdução à Geografia -   Prof. Gláucio Marafon

Sem: 2005/1- Al: Edson Borges* 


     “Está hoje, no horizonte, a transdisciplinaridade. O seu percurso terá que ser ainda aprovado. Consiste, basicamente, na convergência de interesses na direção de objeto(s) do conhecimento”.
Odette Carvalho de Lima Seabra
 Introdução.
     O texto escrito para uma conferência na Universidade de Barcelona em 2002, dispõe a apresentar uma visão geral da Geografia produzida no Brasil nos dias de hoje. De inicio, a autora explicita a dificuldade encontrada em virtude da dimensão da Geografia brasileira, ainda uma constatação de divisão exagerada das ciências parcelares.

Resumo
     A autora parte da hipótese de que a especificidade da Geografia brasileira, do fato de os Geógrafos pensarem o mundo em que vivem, mais que criarem correntes geográficas próprias. Nesse sentido, há uma grande produção, ultrapassando os modelos importados.
     Na Geografia brasileira, a multiplicidade de abordagens teórico – metodológicas torna-a contraditória, múltipla.
     A autora vê uma dicotomia nítida entre a Geografia Física e a Humana, principalmente na pós–graduação. Ainda cita o Rio de Janeiro e São Paulo como os principais produtores de Geografia.
     Traçando um panorama histórico, onde o positivismo reinou por três décadas, assinala duas grandes correntes em 1960: A New Geography ou quantitativa e a Geografia Ativa que lançam a Geografia para a fase seguinte: a do surgimento da Geografia Critica ou Radical e a Fenomenologia ou Geografia Humanística. Tendo, a primeira, como principal ícone, o prof. Milton Santos.
    O espaço ganhou dimensão filosófica, superou-se a concepção de “palco da atividade humana” e rompeu-se com a postura positivista, com base no materialismo dialético. O espaço, agora, entende-se como produto das relações sociedade / natureza.
     Com uma possível vulgarização das idéias de Marx, há uma certa rejeição ao marxismo por parte de alguns geógrafos, ainda a superação por parte se outros; há ainda o ecletismo. A Geografia Humanística é tomada por alguns, sendo, na consciência, a essência das coisas como se dão; Uma valorização da experiência pessoal. Surge a geografia Cultural, à medida que a cultura, a paisagem, são individualizadoras das relações sociedade / meio. Tendo um movimento de reformulação, passando a quatro eixos de analise: a paisagem geográfica; as regiões culturais; a religião e a cultura popular.
     Sobre a situação atual, a autora percebe uma volta ao empirismo, a descrição do lugar. Ainda uma releitura critica de Marx.
Geografia física x Humana
     Nesse trecho, a autora fala da dicotomia existente nas duas partes da Geografia: a “Física” e a “Humana”, através do dialogo diferenciado dos representantes de cada parte com outras ciências afins, assim como, a diferenciação metodológica.
     A Geografia ambiental, servindo como suporte para muitos de seus seguidores, segundo a autora, acabam com a naturalização dos processos sociais. Uma soluça, segundo Mendonça, seria a adoção do conceito desocioambiental que, por sua vez, levaria a Geografia física para uma contradição.

Espaço, território, Lugar.
     Dentro da geografia Humana, salienta a infinidade de debates acerca da categoria espaço. Entendendo o processo de (re)produção do espaço, como tendo 3 níveis: o político; o econômico e o social.
     A autora destaca a importância da categoria Lugar, numa relação de articulação local / global; pondo como conseqüência da globalização, a desterritorialização (afirmação a nosso ver, polemica). Destacando Milton santos como importante nesse debate sobre a relação global / local.
     A relação de cotidiano, como uma das novas categorias de analise é indicada, assim como vê Lefebvre como seu precursor.
     Ao falar sobre o processo de mundialização, a autora fez uma articulação entre diversas escalas espaciais.
     Mais a frente, a autora comenta sobre a categorialugar para a Geografia e sobre a problemática das redes das cidades, com a redefinição das funções da Metrópole.
     Sobre a Geografia Agrária, a compreensão do papel e do lugar dos camponeses é colocado como fundamental no estudo rural, tendo dois conceitos na reprodução do capital na agricultura: espacialização e territorialização, tomando, como analise, os trabalhos de Umbelino de Oliveira. Incita ainda, a existência de classes contestadoras do capitalismo no campo e na cidade, gerando conflitos.
     A autora destaca outras linhas de pensamento, como trabalhos que têm como objetivo, a música, a literatura e o cinema, aproximando a Geografia da Arte.

Contradições
     A autora chama a atenção para o perigo da descaracterização da Geografia ao ser cooptada pelo capital, nas Geografias, Aplicada e do Turismo. A primeira, referindo-se ao planejamento, elaboração de EIAS / RIMAS, em virtude de o Estado, ora ir contra, ora se aliar ao capital; a segunda, com o perigo de os profissionais se prepararem para “vender” o espaço em vez de “desvendá-lo”.

Conclusões da autora
     Como fechamento, a autora colocou perguntas e afirmações a serem analisadas e discutidas; abriu caminho a novas pesquisas; deixou sua posição como dialética. Pressupôs que a volta do empirismo demonstra que a Geografia encontra-se em crise teórica e que, a mesma encontra-se sob o discurso pós-modernista. Mostra que há uma perda de base para o surgimento / construção de uma critica radical, uma vez que, fala-se do abandono do legado de Marx.

Reflexão
     Traçar um panorama geral da construção do saber geográfico no Brasil é uma tarefa árdua, em virtude da Geografia brasileira, segundo a própria autora, ser muito diversificada.
     Ao falar de correntes, conceitos e categorias, a autora depara-se com muitas concepções, mesmo, contraditórias; as mesmas devem ser tomadas como possíveis verdades uma vez que não existem, essas, absolutas. A categoria Lugar, por exemplo, é diferente nas Geografias Crítica e Humanística. A problemática da desterritorialização é polemica e a autora não cita os trabalhos de Haesbaert.
     Pressupondo que a ciência não é neutra, admitimos que a autora valoriza sua concepção ideológica, o que já era de se esperar, por isso, não fazemos aqui, um julgamento de valor.
     Achamos que a dicotomia entre a Geografia Física e a Humana deve ser superada, ainda que, sabendo da sua complexidade.
     Quanto ao alerta a respeito da possível cooptação da Geografia pelo capital, nada podemos fazer a não ser,parabenizar e seguir adiante na denuncia; afinal o geógrafo, antes de tudo, é um cidadão e, com isso, tem o dever de zelar pelo espaço. Mesmo num mundo onde as oportunidades de trabalho são dificultadas pelo domínio do grande capital e que a subordinação a ele, às vezes, pareça inevitável, não queremos ver o geógrafo transformado em “vendedor de espaços”.
a.


 


*Graduado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro- UERJ,  professor e coordenador do Pré-vestibular para Negros e Carentes- PVNC-Cabuçu.

Nova Iguaçu, Cidade mãe:do nascimento de iguassú à gestação de Iguaçu nova em Uma abordagem geográfica.

* Resumo do artigo de Edson Borges Vicente, referência da entrevista com o Cultura NI por Fernanda Bastos da Silva em  www.culturani.blogspot.com publicado em 11 de novembro de 2009 e exposto no I Seminário Educação e Trabalho de Cabuçu de 2009. Texto disponível também em http://www.geoeducador.xpg.com.br/textos/artigoedson.pdf
ou no Google Drive
https://drive.google.com/file/d/1krbBRxE2V9ip8H0mtaHeth3xvOSNLe8-/view?usp=sharing


Resumo


O presente artigo pretende analisar em uma abordagem espaço-territorial, o
município de Nova Iguaçu / RJ enquanto município-mãe de muitos outros da área
denominada Baixada Fluminense uma vez que, através de emancipações de vários
de seus distritos, foram criados outros municípios da referida área. Para tanto,
recorrer-se-á a uma análise histórico-geográfica da formação e evolução territorial
do sítio principal da cidade, que inicia-se às margens do Rio Iguaçu e é transferido
para as margens da Ferrovia D. P II (atual Central do Brasil). Isso acompanhado de
abordagens quanto às estruturas econômicas, produtivas, sociais e físicas e os
regimes jurídicos que suscitaram essas transformações espaciais. Em especial, será
analisado o caso da Emancipação de Queimados e suas relações identitárias e
espaciais com o bairro Cabuçu (que não é desmembrado, separando-se do antigo
distrito de Queimados). As contribuições de Simões (2007) e da produção do
Instituto de Análises Históricas da Baixada Fluminense - IPAHB serão associadas à
pesquisa de Campo e análises de Reportagens e entrevistas com moradores locais.
Pretende-se ainda, esboçar uma análise sobre o fenômeno urbano mais recente
em curso, que demonstra ser fonte de inúmeras transformações em vários âmbitos:
a implantação do Projeto Iguaçu Nova, analogamente intitulado de “neta de Iguassú”
ou “filha de Nova Iguaçu”, um mega-projeto de iniciativa privada de construção de
um bairro planejado na URG de Cabuçu, uma “mini cidade” que hoje denomina-se
“Cidade Paradiso”. Percebe-se que a lógica dos fluxos relacionados a esse espaço
em construção é eminentemente rodoviária. Nesse sentido, cabe à geografia voltar
suas atenções às modificações sócio-espaciais e econômicas que esse fenômeno
ocasionará. O cerne (ou embrião) desse projeto reside na construção do Parque
Aquático Paradiso Clube e sua atuação enquanto forjador simbólico de identidade
dessa “cidade sem povo” e na convergência de fluxos de pessoas e capitais para a
área nascente.
Não sendo conclusivo, o trabalho almeja introduzir a discussão para que
trabalhos futuros possam ser realizados pelo autor e por outros pesquisadores,
geógrafos e das demais ciências sociais que tem como foco a Baixada Fluminense.

Palavras-chave: Nova Iguaçu – Espaço urbano - Emancipações municipais –
Baixada Fluminense – Cabuçu - Projeto Iguaçu Nova – Cidade Paradiso - identidade
espacial.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Geoeflexões de um presente futuro professor do Estado do RJ

Por Edson Borges Vicente

     Professor, ser ou não ser? essa questão paira na cabeça de muitos dos poucos que ingressam no ensino superior no Brasil ainda nos dias de hoje. Contudo, de fato aumentou significamente o numero de ingressos nas universidades brasileiras, principalmente as de iniciativa privada. O detalhe é que esses números ganham consistência quando se avalia o número de graduandos de cursos de licenciatura. Mas isso tem alguma conotação social? De fato os cursos de licenciatura são preenchidos, geralmente, por alunos de classes sociais menos abastadas. O professor em geral tem salário mais baixo do que os dos cursos considerados "de elite".
     Mas ser professor não pode ser uma escolha, tem que ser um dom. Um profissional professor que tenha cursado licenciatura somente por causa das circunstâcias achará rapidamente no seu caminho docente uma coisa  que os teóricos chamam de "mal estar docente" que vem caminhando com o "mal estar da humanidade" nos últimos anos e que se manifesta em quase a totalidade dos que se consideram educadores.
     A estrutura da educação brasileira deixa muito a desejar no que tange às condições de trabalho, de formação continuada e até mesmo segurança. Ser professor, em especial no Rio de Janeiro Capital e Baixada Fluminense, hoje pode ser considerado ter uma profissão de risco. Baixos salários, falta de recursos didáticos-pedagógicos, falta de valorização do profissional tem afastado e exonerado uma multidão de mestres-operários.
     Mas quando se opta por essa prática tão especial e tão importante para a nação não se pode deixar intimidar pelas primeiras barreiras encontradas no caminho. Em minha pesquisa monográfica deparei-me com duas educadoras geográficas as quais chamei Geoeducadoras. Ambas com quase duas décadas de docência e uma delas na mesma escola. Em um colégio público da rede estadual, localizado em minha cidade Nova Iguaçu, elas me fizeram perceber que as estratégias para possibilitar um bom ambiente de aprendizagem são possíveis mediante a reflexão para-na-da prática cotidiana em articulação com os agentes da escola. Com a nota máxima obtida pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, ainda que tenha sido apontado um pouco de romantismo em meu texto, me serviu como uma injeção de ânimo enquanto licenciando.
     Naquela época eu estava desenvolvendo o trabalho com certa rapidez em função da aprovação no concurso 2007 do Magistério Estadual e o temor de uma convocação precoce me fez correr com a pesquisa, daí não tive tempo para procurar defeitos no trabalho tão especial daquelas duas pessoas especiais (que são figura fácil como paraninfo todos os anos). Embora o que eu temia ter se concretizado - pois fui chamado na primeira convocação - o trabalho serviu para que eu fizesse uma avaliação bem de perto daquela que era a profissão que eu havia escolhido e, embora eu já tivesse experiência docente com pré-vestibular comunitário - o PVNC Cabuçu - e estar cursando também o bacharelado, foi uma experiência incrível.
     Hoje, 11 de janeiro de 2010,  já quase dois anos depois de eu ter pedido "fim de fila" quando da minha apresentação à Metro I, algo que muito almejava aconteceu. O telegrama da SEEDUC achou novamente meu endereço. Fui reconvocado, agora na última do concurso 2007 que teve zerado o banco de Geografia para a Metro de Nova Iguaçu e Companhia. Eu, que acompanho desde aqueles tempos o Blog Educação, ou Blog da Raquel (que se encontra na lista de Links) e vi a ultima convocação de semana passada na qual só chamaram um fim de fila, fui pego por uma agradável surpresa que me vem agora como um desafio.
     Ser professor ou não ser eis a questão? ou eis um dom? de agora em diante sei que passarei por inumeras dificuldades, entre elas a de conciliar meu tempo entre O pré-vestibular, meu trabalho com assistência social e a árdua e gratificante tarefa de aprender a  ensinar.
      Tenham todos uma semana abençoada!!!
Edson Borges - Geoeducador

sábado, 5 de dezembro de 2009

A Carta do Sevinho

Por Edson Borges Vicente


Severino era um menino franzino e empalidecido. Ainda assim seus olhos, embaçados pelo sol escaldante de verão na Caatinga, brilhavam como raras gotas de orvalho sob os mandacarus. Naquele dia anterior à primeira ida para a escola, fizera tudo o quanto podia para quebrar a rotina de sua pacata vida naquele pacato lugarejo chamado Sertão Fundo. Deixara de usar sua melhor muda de roupas na missa dominical para apinhar-se na única sala de aulas da região, recém contemplada com um programa de alfabetização rural. Era seu primeiro dia de aula em seus nove anos de vida severina.
O maior sonho daquele garoto era escrever uma carta para seu pai que havia deixado a família há cinco anos para tentar a vida no Rio de Janeiro. Mesmo em remotos flashes, sua memória guardava a imagem e a promessa de que veria mudar os rumos de sua vida quando, no retorno dele com suficiente dinheiro ajuntado, fartos dias cessariam a fome de toda sua família.
Sevinho, como era chamado pelos seus colegas, sabia que o que a professora vinda da cidade trazia era muito mais do que rabiscos em papel e quadro de giz, era a oportunidade para ele abraçar o mundo e ser abraçado. Sabia também que o fato de seu pai ser analfabeto dificultaria muito conseguir um bom trabalho e juntar o dinheiro sonhado. Não fossem as leitoras e redatoras de cartas apostos na Central do Brasil, sequer receberia as correspondências enviadas desde que ele partira e não fosse o dono da mercearia, único alfabetizado do lugarejo, nem mesmo as tais cartas seriam lidas.
 Mas seu sonho estava se realizando, estava agora em uma escola. Toda a precariedade do lugar não abatia o menino que atribuía grande valor ao aprendizado e, com seu impoluto pensamento, não enxergava as inúmeras imperfeições que ali existiam. Olhos e atenção voltados para aquela jovem que dedicara sua vida a ensinar, Sevinho nem sentiu mais fome, nem sede e, durante as quatro primeiras horas de aula de sua vida, sentiu-se gente. Voltou pra casa com os mesmos olhos embaçados de outrora, mas com o resquício de um brilho diferente do anterior, já não raro como o orvalho, mas cotidiano como a luz implacável das proximidades do equador, intensa e com força contínua.
(Texto concorrente no concurso literário Brasil de A a Z da Litteris Editora, 2013).