domingo, 27 de fevereiro de 2011
A Rede e a Pantera
Vivemos em um Mundo em Movimento. E os movimentos do Mundo, das pessoas do Mundo, colorem o céu e as estradas, os rios e o mar... e as ondas eletromagnéticas e os circuitos eletrônicos, as fibras ópticas e os satélites. O colorido dos monitores e motores, o cinza das fumaças e o invisível dos dados criptografados do mundo virtual transportam pessoas, idéias, sonhos e poderes. O Mundo em movimento movimenta as fotografias e altera os espaços. Na verdade parte desse mundo desrespeita o espaço.
Mas o preço dos movimentos de alguns é a estagnação de muitos. Esse mundo de viajantes, de aventureiros, eletronautas, famosos bloger’s, populares amigos dos espaços virtuais de relacionamento, comércio e de rodas de decisão é limitado. O mundo do trabalho eletrônico, da obrigação eletrônica, do lazer eletrônico é o mesmo mundo colorido que descarta os analfabetos digitais. E esse movimento parado, longe de ser ditado pela predisposição do destino, da falta de sonhos ou da aversão ao novo é gerido por um sistema segregador, que escolhe seus componentes numa multidão de desejos. Grande parcela dos olhos brilhantes de emoção, diante das tecnologias arrojadas do século XXI, estão off-line. É o mundo em movimento num processo de integração em rede. Focos de acesso em meio a muralhas eletrificadas. Pontuais como as pintas de uma onça.
Os vídeos e sons cada vez mais encantadores, as apresentações em Flash roubando a cena dos chargistas, as caixas de e-mails empoeirando os CEP’S, os editores de texto revelando escritores e poetas, as planilhas eletrônicas salvando a vida das secretarias e donas de casa. Numerosos procedimentos burocráticos, dentre muitos, os de iniciativa governamental estão em um processo de digitalização. Com o discurso da agilidade e da integração dos dados, do “fim das filas” e da modernização do sistema de gestão pública, inúmeros cadastros, matrículas e até mesmo o voto tornaram-se digitais.
Diante dessa constatação fica evidente a importância da inclusão da alfabetização digital no sistema de ensino brasileiro, não apenas no sentido de fornecer computadores com Internet ou joguinhos que qualquer pessoa pode utilizar a-criticamente a alunos teleguiados por essa lógica consumista fomentada pela mídia. É preciso educar para o mundo técnico-científico informacional, mostrar os caminhos para que a população, a partir dos estudantes até toda ela, possa saber utilizar esse recurso tecnológico como ferramenta de cidadania. Mostrar, por exemplo, que o computador, mesmo sem Internet, pode ser um aliado no cotidiano das pessoas nas mais variadas modalidades, domésticas, educativas, profissionais. Mostrar que a Internet serve também para cobrar das autoridades mais responsabilidade. Aos políticos, que estão tão distantes do povo, mas bem próximos da rede, cobrar prestação de contas de sua atuação com mensagens, grupos de discussão e fiscalização. Às empresas que não respeitam a os serviços de atendimento ao consumidor, buscar diálogo subsidiado pela potencialidade do contato com as agências regulamentadoras de sua atividade, como a ANEEL, ANATEL, DETRO e etc, de certo que percebendo as cobranças elas passam a cumprir com suas obrigações.
E educar nesse sentido é garantir o acesso às informações e a capacidade de filtração das informações verídicas e formar educadores conscientes de seu papel.
E será que isso é o bastante? A resposta mais coerente seria um não! Garantir o acesso e a educação digital são partes de um processo de democratização das tecnologias. É preciso garantir também a permanência. É preciso o barateamento dos computadores e periféricos, é preciso a diminuição das tarifas de telecomunicações e uma expansão integral das mesmas, uma verdadeira globalização. É preciso que a mancha da rede de computadores no Brasil seja tal qual o preto de uma pantera negra, ou seja, abrace todos os brasileiros para que então todos possamos através de um botão, que não o somente o “confirma” nas urnas eletrônicas, exercer nossa cidadania.
Edson Borges Filadelfo (ant Vicente) Geoeducador)
http://recantodasletras.uol.com.br/redacoes/2174234
As Feras Tomaram a Floresta ou "Um Índio e a Saga Amazônica"
Certo dia um índio muito corajoso recebeu um visitante. Ele era educado e generoso. Trouxe umas parafernálias esquisitas e brilhantes as quais lhe deu. Para retribuir a generosidade, resolveu então dar ele um pouco do que a terra lhe dava. Mal sabia ele que, com aquela oferta sublime, pouco a pouco iria crescer a cobiça e o visitante iria querer mais. Mas qual o problema? Dar do que a terra gerava não pareceria correto? - Queres erva? A terra me dá a erva e eu te dou a erva! - Para o índio que via naquela erva um presente de Tupã aos homens da terra nada era mais humano que oferecer.
E assim foi...
Mais tarde aquele visitante novamente apareceu, só que desta vez não estava sozinho. Trouxe uns amigos consigo. Eles também queriam as ervas, o Cacau e as lágrimas da seringueira. Lhes foi dado mais e mais. Mas eles não se contentavam. Quanto mais recebia mais queriam. Ao fim, o pobre Índio contente por ter agradado aos visitantes constantes sentiu falta dos mesmos, já não apareciam tão frequentemente. Que será?
Numa caminhada pela floresta, certa vez, o Índio da tribo dos Tuyuka ouviu barulhos estranhos vindos de grandes feras que devoravam as grandes árvores. As feras, mais bravas que onças, comiam tudo que viam pela frente e o pobre índio, ainda espantado, tentou pedir ajuda aos guerreiros de sua tribo. Alguns índios morreram ao tentar enfrentar as feras que só não atacavam os amigos daquele visitante que esteve na tribo algumas vezes.
Algum tempo depois o índio, curioso e corajoso, voltou ao local onde teria visto as feras. No lugar da Mata haviam plantas igualzinhas umas das outras, como suas plantações de mandioca, porém, que sumiam no horizonte deixando o rio que o índio gostava de visitar mais longe, e vez por outra ouvia o rosnar de feras em meio a aquelas plantações. Conversando com um índio amigo de outra tribo, ele ouviu dizer que as feras estavam escavando a terra e não havia nem mata nem planta alguma onde ele gostava de ir uma vez ao ano mais pro lado onde o sol dorme. Se aqui as feras comem as arvores e cuidam das plantas, lá só havia destruição e estavam levando a terra.
Muito tempo se passou e cada dia mais o índio tinha que temer andar na floresta, pois as feras estavam por todos os lados, até mesmo cruzavam o céu com seu ronco agressivo. Desejando visitar o grande rio que seu pai lhe havia levado em sua infância o, então bravo guerreiro, aventurou-se na selva em busca do sonho perdido. Será que as feras levaram as águas do grande rio?
Chegando ao local, ao desbravar as terras que antes exuberavam as matas mais antigas da região, o índio derramou-se em lágrimas. Uma fera havia segurado as águas do rio, talvez na tentativa de levá-las embora, e o Iguassú, que não se entregava, inundou a mata matando as árvores, animais e uma pequena tribo que ali habitava a muito e muito tempo. O Índio não pensou duas vezes. Triste com todos os problemas que haviam surgido desde que avistou as feras pela primeira vez, ele se jogou nas águas desesperadas do grande rio até que atingiu as mãos da grande fera e morreu.
Seu sangue foi espalhado pelo rio, tornando suas águas avermelhadas como suas pinturas. Desde aquele dia o grande rio - hoje chamado - Solimões - luta para não ver perdidos os rastros do sangue do guerreiro Tuyuka quando se encontra com o Rio Negro, fazendo do encontro de suas águas e o nascimento do Amazônas uma maravilhosa paisagem, guadando consigo segredos e estórias fascinantes como a do índio que amava sua terra.
Edson Borges Vicente (Filadelfo)2007
http://www.geoeducador.blogspot.com/
http://recantodasletras.uol.com.br/contos/2124396
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Carnaval.. Futebol... NOVA VERSÃO
(Versão Antiga)
Paz, carnaval, futebol
Não mata, não engorda
E não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol...
(Versão Nova)
*PAES*, Carnaval, futebol
Jogar dinheiro fora
não faz mal
Carnaval, futebol
se joga grana em cima e vira pó (na quarta feira de cinzas)
(Versão Antiga)
Vai, vai, vai! Fica aqui meu avião
Vem, vem, vem!
Que o Brasil não tem vulcão
Vai, vai, vai!
Suba aqui na minha moto
Vem, vem, vem!
Aqui não tem terremoto...
(Versão Nova)
Vai, vai, vai! o Lula de avião
vem vem vem
Irã não tem atômica não
Vai, vai vai!
sobe aqui no meu palanque
Vem, vem vem!
Esquerda não tem militante
(Versão Antiga)
Temporal de calor
Tome um sorvete
O tempo é bom para o amor
No pólo sul tem vento frio
Prá namorar
Vem todo mundo atrás do trio...
(Versão Nova)
Temporal que deslizou
Doe um absorvente
O tempo é ruim pra quem votou
No ar-condicionado tem vento frio
pra aproveitar
vem todo mundo rir do Rio
(Versão antiga)
Beija docinho
Que estou doidinho
Prá te molhar a boca
Insolação
Febre e paixão
(Versão Nova)
Queima galpãozinho
que eu estou doidinho
pra te molhar a mão
superprodução
Amor e Corrupção
Vai carnaval!
(Edson Borges Filadelfo) - http://www.geoeducador.blogspot.com/
Paz, carnaval, futebol
Não mata, não engorda
E não faz mal
Carnaval, futebol
Se joga para cima e vira sol...
(Versão Nova)
*PAES*, Carnaval, futebol
Jogar dinheiro fora
não faz mal
Carnaval, futebol
se joga grana em cima e vira pó (na quarta feira de cinzas)
(Versão Antiga)
Vai, vai, vai! Fica aqui meu avião
Vem, vem, vem!
Que o Brasil não tem vulcão
Vai, vai, vai!
Suba aqui na minha moto
Vem, vem, vem!
Aqui não tem terremoto...
(Versão Nova)
Vai, vai, vai! o Lula de avião
vem vem vem
Irã não tem atômica não
Vai, vai vai!
sobe aqui no meu palanque
Vem, vem vem!
Esquerda não tem militante
(Versão Antiga)
Temporal de calor
Tome um sorvete
O tempo é bom para o amor
No pólo sul tem vento frio
Prá namorar
Vem todo mundo atrás do trio...
(Versão Nova)
Temporal que deslizou
Doe um absorvente
O tempo é ruim pra quem votou
No ar-condicionado tem vento frio
pra aproveitar
vem todo mundo rir do Rio
(Versão antiga)
Beija docinho
Que estou doidinho
Prá te molhar a boca
Insolação
Febre e paixão
(Versão Nova)
Queima galpãozinho
que eu estou doidinho
pra te molhar a mão
superprodução
Amor e Corrupção
Vai carnaval!
(Edson Borges Filadelfo) - http://www.geoeducador.blogspot.com/
sábado, 22 de janeiro de 2011
O Parasiso rodeado de águas
Aqui bem próximo de nós se esconde o paraíso. Há algumas milhas da costa, longe da massificante vida metropolitana e guardada pela dificuldade de acesso, emerge a Ilha Grande: ilha continental pertencente ao município de Angra dos Reis. Resquício da geomorfologia da Serra do Mar no seu contato direto com “seu mar” na região conhecida como Costa Verde – RJ, a Ilha grande possui paisagens exuberantes, grande biodiversidade e um potencial turístico incrível. Tudo devido à significativa preservação de seu ambiente natural, a Mata Atlântica.
Refugo de poucos (embora tão próxima da Capital), a Ilha exibe desde as mais belas praias naturais, conjugadas à mata costeira, fantásticas cachoeiras, fauna e flora tipicamente tropicais e intensa e colorida vida marinha, até mesmo testemunhos históricos de grande riqueza patrimonial como ruínas de presídios, templos religiosos e aquedutos (ainda em utilização) . Somando-se isso a um centro de pesquisas ambientais mantido pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o resultado é o paraíso. Um lugar onde a segurança dos visitantes é quase infalível, onde a cada km percorrido centenas de tomadas fotográficas podem ser tiradas, onde cada paisagem compete com a beleza das adjacentes e onde se pode viver grandes sonhos.
Dentre as praias que mais se destacam na Ilha Grande é a praia de Lopes Mendes, considerada uma das mais bonitas do Brasil. Localizada a sudeste da Ilha, voltada para o mar aberto, Lopes Mendes destaca-se por suas areias finas e claras, a ponto de ofuscar as vistas devido ao grande reflexo da luz solar. Além disso a água não possui poluição e permite ao banhista adentrar grande distancia de águas rasas, ressalvados os períodos de grande agitação marinha. Outro fator que chama a atenção é que, para se chegar em Lopes Mendes é necessário percorrer uma trilha de 30 min pela mata que rodeia, cruzando de norte a sul a ponta dos Castelhanos. Assim sendo, a paisagem que se vê remonta os tempos da chegada dos colonizadores no Brasil, uma vez que a mata atlântica que existia encostava-se ao mar, como ocorre em Lopes Mendes. Pudera ter gritado Cabral “Mata a vista” em vez de “terra”. Lopes Mendes, também devido ao difícil acesso, foi uma das primeiras praias de nudismo do Brasil por algum tempo.
Lopes Mendes - Ilha Grande RJ
continua....
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Geobacharel não tem medo de bamba
"Poesia de Geoeducador é classificada no Prêmio Noel Rosa de Poesia". Abaixo em primeira mão:
Mestre Rosa
¹ Bacharel e Licenciado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Professor da Rede Estadual de Educação do RJ.
OBS: Poesia classificada no Prêmio Noel Rosa em Poesia: comemoração do centenário do "Poeta da Vila". Ediatora Litteris. 2010
20/03/2010
Mestre Rosa
Hoje soube que a Juju
morena e linda pequena
não sabia Geografia
Pensei que fosse normal
um descuido ou coisa e tal
coisa que ninguém sabia
Mas eu vi que o Mestre Rosa
de poesia poderosa
soube valorizá-la
Resolveu mandar fazer
uma fita amarela
para homenageá-la
Esse mesmo velho Noel
junto com os bichos no céu
hoje está sendo lembrado
E eu pergunto com que roupa
ei de ir no lançamento
deste livro publicado
Sei que não haverá só samba
mas com jeito meio bamba
vou soltando a minha voz
nestas linhas alinhadas
aliadas à saudade
dele no meio de nós
¹ Bacharel e Licenciado em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Professor da Rede Estadual de Educação do RJ.
OBS: Poesia classificada no Prêmio Noel Rosa em Poesia: comemoração do centenário do "Poeta da Vila". Ediatora Litteris. 2010
20/03/2010
domingo, 30 de maio de 2010
A RIQUEZA DA PAISAGEM DE IGUAÇU VELHA.
Paisagens Naturais e Históricas de uma Nova Iguaçu nostálgica de riqueza excepcional. A poucos minutos do centro de uma das maiores e mais problemáticas cidades da Baixada Fluminense esconde-se a Iguaçu Velha, área que deu origem a cidade, teve grande importância para o desenvolvimento do país desde a época da colônia e que caiu no esquecimento com o advento da ferrovia. Monumentos tombados pelo patrimônio cultural como a casa grande da Fazenda São Bernardino e as estações de Cava e Tinguá dividem espaço com exuberância da Mata Atlântica preservada da Reserva Biológica do Tinguá e as fazendas que apostam do reflorestamento como atrativo turístico para quem deseja se divertir em contato com tudo de maravilhoso que a natureza pode oferecer.
O bairro do Tinguá nesse contexto possui grande potencial. Com sua proximidade do Rio Iguassú - antiga rota de escoamento de ouro das Minas Gerais e posteriormente, do café- a localidade foi estrategicamente escolhida para a construção da Estrada Real do Comércio, primeira estrada construída exclusivamente para o escoamento do café do vale do Paraíba que após cortar a serra do mar, descendo no Maciço do Tinguá, completava sua rota pelo rio Iguassú até desembocar na Baía de Guanabara no Porto Estrella. Com a crise do abastecimento de água da Capital, o Rei decidiu procurar novos mananciais para a captação. Novamente o Maciço do Tinguá mostrou sua importância. Juntamente com Rio D'Ouro e Xerém, recebeu os trilhos da linha auxiliar da Ferrovia Dom Pedro II - empreendimento feito exclusivamente para esse fim e que posteriormente teve seu uso estendido aos passageiros da Iguaçu Velha. Para preservar esses mananciais a corôa decretou a preservação do Maciço que já no século XX foi elevado à categoria de "Reserva Biológica" (ReBio), uma das mais intocáveis do país.
As fotos que veremos adiante são um pouco de tudo. Monumentos Históricos, Atividades do setor primário como a agricultura, áreas de Mata Atlantica preservada na APA (área maior que inclui até mesmo o centro do bairro) e a aposta no reflorestamento. Essas fotos foram tiradas durante a 5ª Jornada de Educação Ambiental promovida pela ONG Onda Verde com patrocínio da Petrobrás Ambiental.
Fotos 1 e 2: Fazenda São Bernardino - Marco Histórico da Cidade. Um dos exemplares mais completos de fazendas coloniais, a fazenda foi um presente (um dote) do Comendador Francisco Soares para seu genro Bernardino de Melo ao casar-se com sua filha. Tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural e abandonada pelas autoridades a construção do século XIX luta para não ser novamente tombada pelo Patrimônio Cruel do Tempo e do Esquecimento.

Figura 10: Mudas para reflorestamento. O Trabalho da Ong Onda Verde visa priorizar a restauração da Mata Ciliar (da margens dos rios) para preservar os manaciais através do projeto Cuidando da Águas).


O bairro do Tinguá nesse contexto possui grande potencial. Com sua proximidade do Rio Iguassú - antiga rota de escoamento de ouro das Minas Gerais e posteriormente, do café- a localidade foi estrategicamente escolhida para a construção da Estrada Real do Comércio, primeira estrada construída exclusivamente para o escoamento do café do vale do Paraíba que após cortar a serra do mar, descendo no Maciço do Tinguá, completava sua rota pelo rio Iguassú até desembocar na Baía de Guanabara no Porto Estrella. Com a crise do abastecimento de água da Capital, o Rei decidiu procurar novos mananciais para a captação. Novamente o Maciço do Tinguá mostrou sua importância. Juntamente com Rio D'Ouro e Xerém, recebeu os trilhos da linha auxiliar da Ferrovia Dom Pedro II - empreendimento feito exclusivamente para esse fim e que posteriormente teve seu uso estendido aos passageiros da Iguaçu Velha. Para preservar esses mananciais a corôa decretou a preservação do Maciço que já no século XX foi elevado à categoria de "Reserva Biológica" (ReBio), uma das mais intocáveis do país.
As fotos que veremos adiante são um pouco de tudo. Monumentos Históricos, Atividades do setor primário como a agricultura, áreas de Mata Atlantica preservada na APA (área maior que inclui até mesmo o centro do bairro) e a aposta no reflorestamento. Essas fotos foram tiradas durante a 5ª Jornada de Educação Ambiental promovida pela ONG Onda Verde com patrocínio da Petrobrás Ambiental.
Fotos 1 e 2: Fazenda São Bernardino - Marco Histórico da Cidade. Um dos exemplares mais completos de fazendas coloniais, a fazenda foi um presente (um dote) do Comendador Francisco Soares para seu genro Bernardino de Melo ao casar-se com sua filha. Tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural e abandonada pelas autoridades a construção do século XIX luta para não ser novamente tombada pelo Patrimônio Cruel do Tempo e do Esquecimento.

Figura 3 (esquerda): Estação de Cava e Figura 4 (direita): Estação de Tinguá. Estações do ramal da Linha Auxiliar da Ferrovia Dom Pedro II.Mais recente, essa estação data de 1917.
Figuras 5 e 6: O campo dentro da Cidade. A agricultura ainda é uma atividade muito realizada em meio à urbana e paradoxal Região Metropolitana. Na ocasião a terra tinha acabado de ser arada pela manhã (foto à tarde).
Figuras 7,8 e 9: Reflorestamento na Fazenda Atlantica com espécies nativas. À direita a plantação de Imbaúbas, no seguno estágio de regeneração da Mata Atlântica. A Fazenda Atlântica que tem como lema o "lazer e a preservação da Natureza".
Figura 10: Mudas para reflorestamento. O Trabalho da Ong Onda Verde visa priorizar a restauração da Mata Ciliar (da margens dos rios) para preservar os manaciais através do projeto Cuidando da Águas).

Figuras 11 e 12: Trechos do córrego que passa dentro da Fazenda Atlântica. Parte dele é represado para a formação de uma piscina natural.
Figuras 13 e 14: Esculturas. À esquerda uma simpática arara e à direita um temido jacaré. Para os mais desapercebidos eles nem podem ser notados ou então causar um susto considerável.
Figuras 15 e 16: O transporte no passado. Esculturas mostram os meios de transporte da produção no século XIX.

Figura 17: Umas das expositoras da 5ª Jornada de Educação Ambiental, que foi realizada entre os dias 27 e 28 de maio dentro da Fazenda Atlântica. Na ocasião a representante do Instituto Estadual do Ambiente - INEA - estava palestrando sobre o programa Coleta Seletiva Solidária.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Mulinha Tecnológica
por Edson Borges Vicente*
Era uma vez uma mulinha simpática e trabalhadora.Todos os dias seu dono lhe colocava para trabalhar pesado. Carregava pedrinhas preciosas em sua carroça. Pedrinhas de direrentes séries de tamanhos, cores e formas. Cada viagem uma leva pesada de pedrinhas - e nenhuma podia cair. Para tal trabalho, a mulinha havia sido adestrada por quatro anos e passado por um rigoroso exame que a escolheu entre muitas outras. Havia se saido bem por que já treinava bastante antes de terminar o adestramento.
Ela até que reclamava do esforço demasiado, porém não pestanejava em colaborar. De tempos em tempos ela ficava de greve e empacava. Certa vez a mulinha parecia estar ficando mais fraca devido à má alimentação que recebia daquele ser humano que a governava. Eram 730 quilos de capím por mês - quantidade insuficiente para mantê-la por todo o longo mês de trabalho.
Por mais que a mulinha empacasse no meio do caminho seu semblante era bem tranquilo e ela seguia todas as orientações do seu dono. Quando ele puxava a corda direita do arreio ela sabia que tinha que ir para a direita e quando ele puxava para a esquerda, ia a simpática mulinha para a esquerda. Tudo isso com o cuidado para não deixar cair ou espalhar as pedrinhas tão valiosas que costumava carregar, cada qual de uma série diferente de tamanhos cores e formasm porém, todas muito valiosas.
Tudo ocorria assim até que o seu dono não mais passou a guiar a carroça que a mulinha puxava...
Para total espanto da mulinha trocaram sua carroça por uma carroça tecnológica, cheia de parafernalhas informatizadas. Aquela mulinha ficou desesperada. Agora já não havia mais arreio. Umas luzes piscavam de um lado e de outro a indicando as direções que ela deveria seguir. Sons indicavam quando parar e voltar. Ela não compreendia aquilo já que seu dono simplesmente havia sumido. No lugar dele somente botões e mais botões.
No primeiro dia a mulinha acabou se perdendo. Não sabia como puxar sua carroça tecnológica. Rodou, rodou o dia todo até gastar a energia da porção diária de capim. Cansada e fraca resolveu voltar para casa para comer - caminho ela sabia de olhos. Certa de que seu trabalho era muito importante para seu dono e para aquelas pedrinha preciosas, esperava receber um porção a mais de capim para condizer com o trabalho a mais que deveria fazer tão solitária.
Chegando em casa ela teve outra grande decepção: a porção de campim era a mesma que recebia nos tempos da carroça com arreio: 730 quilos de capim po mês. Mudou a carroça -agora era carroça tecnológica- mas nada mudou quanto ao capim. Já esgotada ela ainda teve que passar a noite com fome até receber a porção do dia seguinte.
Um Grande abraço a todos os Professores do Estado do Rio de Janeiro!
* Geografo Bacharel e Licenciado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professor da rede estadual do Rio de Janeiro. Professor e coordenador do Pré-vestibular para Negros e Carentes - PVNC Cabuçu
sábado, 15 de maio de 2010
Escrevendo uma Vida
por Edson Borges Vicente
Disponível também em http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/1347032
Edson Borges – Geoeducador
Sou Feito de caneta e papel.
Meus membros são palavras,
meu coração é uma enorme folha e, nela,
são escritas tantas coisas.
O mais difícil é apagá-las quando necessário.
O jeito é esperar que com o tempo elas se percam.
Algumas são fáceis como se escritas a lápis,
outras dão mais trabalho e às vezes não se apagam.
Às vezes dói quando é rasgada uma linha
e essa dor faz as frases se desordenarem.
Meus sentimentos são expressos nessas linhas,
lendo-as pode-se decifrar meus sonhos:
palavras tristes são minhas lágrimas,
belos versos são meu sorriso.
Para eu descrever minha vida basta que eu a escreva
e nesse momento, para que eu termine,
O mais difícil é apagá-las quando necessário.
O jeito é esperar que com o tempo elas se percam.
Algumas são fáceis como se escritas a lápis,
outras dão mais trabalho e às vezes não se apagam.
Às vezes dói quando é rasgada uma linha
e essa dor faz as frases se desordenarem.
Meus sentimentos são expressos nessas linhas,
lendo-as pode-se decifrar meus sonhos:
palavras tristes são minhas lágrimas,
belos versos são meu sorriso.
Para eu descrever minha vida basta que eu a escreva
e nesse momento, para que eu termine,
um ponto final não se encaixa
pois isso não é o final.
Um conto não é suficiente para que eu conte essa história.
Há muito ainda em mim a ser escrito...
pois isso não é o final.
Um conto não é suficiente para que eu conte essa história.
Há muito ainda em mim a ser escrito...
e muitos escritos em mim a serem lidos.
palavras a escrever e uma vida a contar,
palavras a escrever e uma vida a contar,
caneta e papel a se encontrar.
(Esse texto foi escrito em 2001 e revisado e alterado em 29/05/2012. Aguardava ansiosamente um concurso de poesias em que a palavra fosse uma viagem de uma vida).
Filha do Rio Peixinho é!
SÉRIE PENSANDO - LITERATURA - CRÔNICAS
por Edson Borges Vicente* 06/05/2010
Hoje percebi que reduziram o intervalo entre um ônibus e outro no centro de Nova Iguaçu. Por ironia, porém, constatei que o tempo entre a partida dos mesmos e a chegada em seus destino aumentou. É que a nostálgica cidade-perfume envelheceu. Conhecida como “mamãe” da Baixada, ela não deixa de lado sua herança de filha: filha do Rio.
Parado em um dos cotidianos engarrafamentos da Via Ligth eu me toquei - por não estar com o celular com radinho ligado na Alfa FM como de costume – que a atual Cidade-Shampoo é igualzinha à sua metropolitana mãe: crescimento desordenado, péssima infra-estrutura, ineficaz planejamento urbano, etc... Tudo o que faz com que muitos gastem mais tempo entre as baldeações, ao ir e vir para o trabalho na cidade maravilhosa, do que efetivamente trabalhando.
Foram quase trinta minutos em um percurso de pouco mais de cinco quilômetros. E o tempo é cruel quando só se ouve “a voz do Brasil” nas estações de rádio (oficiais). Que ironia! Logo eu que sempre dizia: “odeio a Central do Brasil”; “odeio a Av Brasil”. Pouco diferem do calçadão iguaçuano e a Via Dutra. Afinal, “filho de peixe peixinho é!” Ou melhor: “Filha do Rio peixinho é”.
Coleção de Haikais 3, 4 e 5 Nuvem Pequena e Seródias I e II
SÉRIE PENSANDO - LITERATURA - HAIKAIS
Haikai 03100318 Nuvem Pequena
Oh! nuvem pequena
traz abundante água viva
Cristo Salvador
Geoeducador
Publicado no Recanto das Letras em 02/04/2010
Código do texto: T2173487
Código do texto: T2173487
Haikai 04100318 - Seródia
Geoeducador
Publicado no Recanto das Letras em 02/04/2010
Código do texto: T2173495
Código do texto: T2173495
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